Reviravolta na sucessão
Enfim, acontece hoje a tão badalada e muito aguardada reunião do governador Wellington Dias com os 12 partidos aliados, quando será definido o candidato da “base” à sua sucessão. Segundo as últimas especulações, o nome escolhido deve ser o do vice-governador Wilson Martins, do PSB. Pelo sim, pelo não é bom esperar.
De qualquer forma, o simples favoritismo de Wilson já diz muito. Diz, por exemplo, da sua capacidade de diálogo: enquanto João Vicente Claudino, do PTB, ficou esperando a simples unção de Wellington, Wilson correu atrás. Trabalhou muito, dia e noite, revelando uma determinação sem igual. Falou com representantes de todos os partidos. No mesmo tempo, o senador viajava para o exterior ou outras partes do Brasil, esquivando-se do necessário contato com as lideranças e as bases da coligação governista.
Wilson Martins também mostrou, mais uma vez, que tem determinação. Se fosse pela crença geral, não tinha para ninguém: João Vicente seria inevitavelmente o candidato da chamada “base”. Fazendo ouvido de mercado à voz comum, o vice tomou para si um conhecido ditado chinês: sem saber que era impossível, foi lá e fez.
Esta era, pelo menos, a sensação que se tinha ontem à tarde, durante contatos com diferentes lideranças do blocão governista. Tudo precisa, ainda, se confirmar na reunião de hoje, se é que ela também ainda vai existir.
O certo, porém, é que o desfecho da sucessão, na área governista, deixará feridos. A primeira vítima é o pré-candidato do PT, deputado federal Antônio José Medeiros. Este será levado ao sacrifício sem chance de defesa. A segunda será o vice-governador Wilson Martins ou o senador João Vicente.
Entre estes dois, o governador terá dificuldade em anunciar um nome que não seja aquele que lidera as pesquisas de intenção de voto para governador e com o qual estava apalavrado há muito tempo, no caso o senador João Vicente. Se tal se confirmar, não apenas o senador, mas muita gente mais terá sido magistralmente enganada.
Como foi abordado ontem na coluna, tramita na Assembleia Legislativa o Projeto de Emenda Constitucional Nº. 01, de março de 2010, que altera o artigo 150 da Constituição Estadual. Este dispositivo trata do preenchimento do cargo de procurador-geral do Estado, privativo de membros estáveis da carreira.
O projeto em tramitação na Assembléia propõe que o cargo passe a ser preenchido ao bel-prazer do governante, como já foi no passado, quando se levava em conta quase que exclusivamente as conveniências político-partidárias, em prejuízo da profissionalização da Procuradoria Geral do Estado.
A justiticativa para restabelecer a norma anterior, de apenas 11 linhas, é um primor jurídico e político! Ei-la: "No tocante ao mérito da matéria, tem-se que o cargo de Procurador-Geral do Estado é eminentemente de atribuição de chefia". E mais: "(...) podendo desta forma ser declarado como de livre nomeação e exoneração pelo chefe do Poder Executivo do Estado do Piauí".
Como se sabe, a Procuradoria Geral do Estado é o órgão que defende institucionalmente os atos da administração pública estadual, a exemplo do que a Advocacia Geral da União faz em relação ao governo federal. É, portanto, um órgão da mais alta significação. Pelas mãos dos procuradores passam decisões da maior relevância, especialmente as relacionadas com o fisco ou patrimônio público.
É claro que essas decisões devem ser tomadas dentro de critérios eminentemente técnicos, em respeito à lei e ao interesse público. Daí a Constituição Estadual, seguindo a Federal, exigir que o cargo de procurador-geral seja privativo de procuradores de carreira. Estes seguramente estão mais comprometidos com a instituição.
O preenchimento do cargo de procurador-geral do Estado, à livre escolha do governador, mas através da nomeação de um dos membros estáveis da carreira, não traduz, evidentemente, mero corporativismo, e sim zelo e aperfeiçoamento das instituições.
Que interesses estão efetivamente por trás dessa manobra que faz o Piauí, em matéria de profissionalização de suas instituições, dar um passo atrás?
Ainda a gambiarra na Assembleia
Como foi abordado ontem na coluna, tramita na Assembleia Legislativa o Projeto de Emenda Constitucional Nº. 01, de março de 2010, que altera o artigo 150 da Constituição Estadual. Este dispositivo trata do preenchimento do cargo de procurador-geral do Estado, privativo de membros estáveis da carreira.
O projeto em tramitação na Assembléia propõe que o cargo passe a ser preenchido ao bel-prazer do governante, como já foi no passado, quando se levava em conta quase que exclusivamente as conveniências político-partidárias, em prejuízo da profissionalização da Procuradoria Geral do Estado.
A justiticativa para restabelecer a norma anterior, de apenas 11 linhas, é um primor jurídico e político! Ei-la: "No tocante ao mérito da matéria, tem-se que o cargo de Procurador-Geral do Estado é eminentemente de atribuição de chefia". E mais: "(...) podendo desta forma ser declarado como de livre nomeação e exoneração pelo chefe do Poder Executivo do Estado do Piauí".
Como se sabe, a Procuradoria Geral do Estado é o órgão que defende institucionalmente os atos da administração pública estadual, a exemplo do que a Advocacia Geral da União faz em relação ao governo federal. É, portanto, um órgão da mais alta significação. Pelas mãos dos procuradores passam decisões da maior relevância, especialmente as relacionadas com o fisco ou patrimônio público.
É claro que essas decisões devem ser tomadas dentro de critérios eminentemente técnicos, em respeito à lei e ao interesse público. Daí a Constituição Estadual, seguindo a Federal, exigir que o cargo de procurador-geral seja privativo de procuradores de carreira. Estes seguramente estão mais comprometidos com a instituição.
O preenchimento do cargo de procurador-geral do Estado, à livre escolha do governador, mas através da nomeação de um dos membros estáveis da carreira, não traduz, evidentemente, mero corporativismo, e sim zelo e aperfeiçoamento das instituições.
Que interesses estão efetivamente por trás dessa manobra que faz o Piauí, em matéria de profissionalização de suas instituições, dar um passo atrás?
Com o advento da Constituição de 1988, procura-se, no Brasil, profissionalizar ao máximo as instituições, para, entre outros objetivos, evitar o nefasto tráfico de influência na ocupação de cargos que devem ser exercidos por servidores públicos de carreira. No Piauí, anda-se na contramão da história.
Está tramitando na Assembleia Legislativa o Projeto de Emenda Constitucional no 01, de março de 2010. O projeto altera o artigo 150 da Constituição Estadual, que trata do preenchimento do cargo de procurador-geral do Estado. O que diz o texto em vigor: “A Procuradoria Geral do Estado tem por chefe o Procurador-Geral do Estado, nomeado em comissão pelo Governador do Estado, e prerrogativas de Secretário de Estado, dentre os membros estáveis da carreira, maiores de trinta anos, de notório saber jurídico e reputação ilibada”.
O acesso ao cargo de procurador do Estado dá-se através de concurso público, um dos mais difíceis da carreira jurídica. Em dezembro de 2008, através da Emenda Constitucional n. 27, que ajustou a Constituição do Piauí às alterações ocorridas na Constituição Federal, a Assembléia Legislativa ratificou os critérios para escolha do procurador-geral do Estado.
Justiça seja feita ao governador Wellington Dias: desde o seu primeiro mandato, ele vem seguindo à risca a Constituição. Primeiro, ele nomeou para o cargo o procurador Plínio Clerton. Com a saída deste, já no seu segundo mandato, outro procurador do Estado, o dr. Kildere Ronne, assumiu o cargo.
Pois bem. Agora, a Assembléia Legislativa quer borrar a Constituição do Piauí e mudar uma regra que ela mesma confirmou há pouco mais de um ano, criando brecha para que o cargo de procurador-geral do Estado, hoje privativo de procuradores de carreira, como já se disse, passe a ser exercido por advogados estranhos ao quadro da Procuradoria. Basta que tenha um pistolão.
O Projeto de Emenda Constitucional começou a tramitar no último dia 8, na surdina, e já tem o apoio de pelo menos 13 deputados, integrantes das bancadas do governo e da oposição. Trata-se de um retrocesso inexplicável e inaceitável, que por certo haverá de merecer a devida contestação, agora que é tornado público.
PT deixa Nazareno falando sozinho
O Partido dos Trabalhadores conseguiu coletivizar a coisa mais individual que existe neste mundo, a renúncia. Reuniu-se para estabelecer, mediante votação, que o governador Wellington Dias está à vontade para deixar o cargo e concorrer ao Senado.
Os demais itens da pauta, aprovados quase por unanimidade, são compreensíveis. O acatamento ou não aos critérios para escolha de candidatos, por exemplo, é uma coisa normal na vida dos partidos. Renúncia, porém, não depende de autorização, a menos que o governante estivesse com as mãos atadas.
Ao manter o nome do secretário Antônio José Medeiros como pré-candidato a governador, mas sem tirar de Wellington Dias o seu poder de escolha junto aos partidos da base aliada, o PT sinalizou para o clima de “paz e amor” que os aliados tanto desejavam, sobretudo o senador João Vicente Claudino.
O PT foi sempre um partido de luta, chegado ao confronto, mas encontra-se numa situação ímpar: precisa de um representante no Senado, mas, para isso, terá que disponibilizar os cargos comissionados a partir do dia 2 de abril. Nesses casos a concórdia é sempre recomendável.
Com a decisão de domingo, “liberando” o governador para renunciar, dando-lhe carta branca para negociar a candidatura à sua sucessão e abrindo mão da candidatura própria ao Governo do Estado, o PT deixou o deputado federal Nazareno Fonteles falando sozinho. Na avaliação do parlamentar, o PT mudou sob pressão.
Ontem, o deputado federal Antônio José Medeiros dizia que o PT está fazendo a sua parte para contribuir com a unidade da chamada "base".
A decisão de domingo respalda, no momento, a palavra empenhada por Wellington Dias junto ao PTB para apoiar o seu candidato a governador.
Mas ela não dá nem ao governador nem ao PTB a tranquilidade de que esse acordo passe na convenção petista que será realizada em junho. (Colaborou Raimundo Cazé)
A barragem do Poti
Será amanhã, às 10 horas, no auditório da Escola Fazendária, no Centro Administrativo, em Teresina, a audiência pública que discutirá o projeto da Barragem de Castelo, no rio Poti. Segundo o Governo do Estado, a nova barragem terá capacidade para acumular 2,5 bilhões de metros cúbicos de água e gerar 50 mw de energia. O custo da obra está estimado em R$ 250 milhões.
Uma indagação que deve ser feita na audiência pública: quais são os recursos orçamentários destinados a esse empreendimento? Até onde se sabe, a obra não se encontra contemplada no Orçamento Geral da União para 2010. Como o Piauí é sempre discriminado em relação ao OGU, a barragem levaria no minimo 10 anos para ser edificada, se for incluída nos próximos anos.
Também é preciso saber, na audiência, se já existe decreto de desapropriação da área e quanto o governo estima que vai gastar nessa etapa. E tem mais: é sabido que, por ser o Poti um rio nacional, a Agência Nacional de Águas (Ana) impõe uma série de condicionantes para dar a outorga de uso da água.
É importante observar este aspecto porque existe a informação de que o Ceará pretende construir três barragens no mesmo rio. Isto não vai atrapalhar a acumulação de Castelo ou mesmo tirar do rio Parnaíba seu afluente? A barragem vai proteger Teresina de enchentes?
Outra: para se evitar acidentes como o ocorrido recentemente com a barragem Algodões, é preciso saber se o governo fez o projeto de segurança da nova barragem. Esta materia – a segurança das bassatens – já chega a ser tema de discussão no Senado.
Para um empreendimento dessa natureza, são exigidos diversas condicionantes ambientais, tais como: EIA-RIMA, Plano de Controle Ambiental, Sistema de Gerenciamento Ambiental , Plano de Reassentamento da População Ribeirinha etc. O que já existe de concreto quanto a essas providências? Pode-se licitar uma obra desse porte sem estas condicionantes?
Estas são indagações que certamente serão feitas na audiência pública de amanhã.
O que esperar do PT
O PT se reúne hoje, em Teresina, para “tirar” – segundo o termo petista que caiu um pouco em desuso – uma posição sobre a sucessão estadual. Os petistas piauienses vivem uma crise de identidade. Eles nunca tiveram tanta condição de lançar um candidato a governador, mas, mesmo assim, vão abrir mão dela nas próximas eleições.
Com a vitória do presidente Lula e do governador Wellington Dias, e a reeleição de ambos, o PT imaginou em levar adiante o seu sonho de poder. No Piauí, o partido lançou no ano passado o então secretário de Fazenda, Antônio Neto, à sucessão do governador Wellington Dias.
Após meses de campanha e algumas avaliações, o PT concluiu que Antônio Neto não emplacava e, no início de janeiro passado, decidiu substituir a sua candidatura pela do secretário de Educação, deputado federal Antônio José Medeiros, fundador do partido.
Quem viu o PT substituindo, de forma surpreendente, um candidato com perfil técnico por outro com perfil mais político, certamente calculou que sua candidatura fosse para valer. O partido estava trocando um candidato comedido por outro mais arrojado, a fim de concorrer em pé de igualdade com os demais postulantes à candidatura de governador, pelo blocão governista.
Ocorre que, mesmo tendo um pré-candidato lançado ao Governo do Estado, o partido decidirá hoje que vai queimá-lo para acompanhar qualquer decisão do governador Wellington Dias. O PT sabe, como todo mundo, que o governador está apalavrado com a candidatura do senador João Vicente Claudino à sua sucessão. Toda essa volta que ele vem dando é apenas para preparar o anúncio.
Embora vá reafirmar, no encontro de hoje, a sua lealdade ao governador e vá lhe dar carta branca para o encontro de cúpula que haverá no próximo dia 19, para anunciar o candidato da “base”, o PT não dará a Wellington a garantia de que vestirá a camisa de seu candidato a governador nem de arregaçar as mangas pela eleição dele.
Uma Saco de pancadas
Muita coisa imprestável circula pela internet. Mas há, também, muita coisa que se aproveita, como este e-mail que a seguir transcrevo:
“ Tá” Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arruda? do Sarney? do Collor? do Renan? do Palocci? do Kassab? do seu Prefeito? E você? Brasileiro reclama de quê?
O brasileiro é assim:
1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas; 2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas; 3. - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração; 4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura; 5. - Fala no celular enquanto dirige; 6. -Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento; 7. - Para em filas duplas, triplas em frente às escolas; 8. - Viola a lei do silêncio; 9. - Dirige após consumir bebida alcoólica; 10. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
E mais: 11. - Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas; 12. - Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho; 13. - Faz “gato” de luz, de água e de tv a cabo; 14. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos; 15. - Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto; 16. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas; 17. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20; e 19. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes, e 20. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado (...)
E quer que os políticos sejam honestos... Brasileiro reclama de quê, afinal? Vamos dar o bom exemplo! Espalhe essa idéia!
Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos...
A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes!”
Uma nova seca chegou e se alastra sobre o semi-árido do Piauí e o que se vê e se ouve é os políticos com a mesma ladainha: “O governador sai ou não?” “O prefeito de Teresina é ou não é candidato?” “Quem é mesmo o candidato da base?” E por aí vai... Acaba no próximo dia 20 o prazo para decretação de emergência nos municípios. Até agora, apenas 29 prefeitos tomaram essa providência.
Esta semana, os deputados estaduais fizeram uma audiência para avaliar a situação da estiagem. Após as discussões, ficou decidido o encaminhamento de um memorial ao Governo do Estado solicitando a criação do programa de agricultura sustentável e irrigação, socorro imediato às famílias e pequenos agricultores, além da solicitação de ação emergencial aos governos estadual e federal.
O autor do requetimento solicitando a audiência, deputado João de Deus, líder do PT, disse que todas as expectativas da população por um bom inverno já não existem mais e que boa parte dos agricultores já esperam algum tipo de ajuda.
Só que ontem o secretário estadual da Defesa Civil, deputado Fernando Monteiro, afirmava que não existe seca no Piauí, neste momento. Segundo ele, está se verificando uma estiagem. “A estiagem se caracteriza quando as chuvas são irregulares. Mas chove, apesar do momento inadequado.” Apesar de minimizar o quadro, ele pelo menos admitiu que a produção agrícola está comprometida.
O assunto requer uma maior atenção de todos. Segundo levantamento da Fetag e da APPM, a seca já castiga mais de 150 municípios. As perdas da safra variam de 50 a 90 por cento, dependendo da região. A situação tende a se agravar, pois o Exército decidiu retirar carros-pipa das localidades que vinham sendo abastecidas através deles.
É inaceitável que, enquanto milhares de trabalhadores rurais vivam uma situação de calamidade e privação, provocada pela seca, os políticos passem o tempo inteiro desfilando na mídia com a abordagem de temas de seu exclusivo interesse, como eleições, acordos políticos, conchavos, traições e outros.
O PT ainda é bom de briga
O senador João Vicente Claudino, pré-candidato do PTB ao Governo do Estado, deu ao deputado federal Nazareno Fonteles uma resposta que certamente surpreendeu o petista. Após ser atacado pelo deputado, o senador lembrou, com sua polidez habitual, que em 2006 recebeu o voto de Nazareno para senador.
É verdade. Não apenas Nazareno, mas o PT em peso votou em João Vicente para o Senado, na dobradinha que ele fez com o governador Wellington Dias, candidato à reeleição. Os dois obtiveram, por sinal, praticamente a mesma votação. Wellington obteve 945.857 votos e João Vicente, 923.204.
Desconfio que ali mesmo, naquele pleito, nasceu o acordo para as eleições deste ano. O governador e o senador amarraram ali a sucessão de 2010, dando o nó cego que agora petistas e aliados estão querendo desatar. Desconfio. Mas isto é um assunto para outra ocasião.
O que cabe refletir agora é sobre o seguinte: o que o PT tem de diferente dos demais partidos, para o deputado Nazareno vetar com tanta intransigência um aliado de primeira hora, como o senador João Vicente Claudino?
O PT não é mais aquele de outrora, que se posicionava acima do bem e do mal. Já nem falo da próspera parceria que o partido fez com o capital. Lembro mais é que o PT não resistiu às tentações do poder, pecou – e pecou muito! – , caindo na vala comum das demais siglas. Hoje é farinha do mesmo saco. Portanto, onde está sua autoridade para vetar alguém com o perfil do senador?
Há, no entanto, pelo menos dois aspectos que o senador João Vicente deve considerar na fala de Nazareno. O primeiro é que o parlamentar está sendo absolutamente sincero. Poucos no PT tem a sua franqueza. O segundo é que ele não está falando apenas por si. Uma legião considerável de petistas comunga inteiramente de suas ideias.
Se o senador tem efetivamente a palavra do governador de que ele será o candidato da tal “base”, de já é sabedor que Wellington, ficando ou não no governo, terá extremas dificuldades em conter o estouro da boiada. O PT se amofinou muito no poder. Mesmo assim, entre os partidos que aí estão, ainda é o que tem maior capacidade de aprontar confusão.
Quando o vice pesa
Constitucionalmente, o papel que cabe ao vice é muito discreto: ele é uma reserva técnica para substituir o titular nos seus impedimentos e na vacância do cargo. Mas há momentos em que ele ganha relevância, como agora, no Piauí, diante das definições para a sucessão estadual deste ano.
O governador Wellington Dias, por exemplo, está com vontade no corpo todo de ser candidato a senador. As pesquisas de intenção de voto sinalizam para sua vitória. Os líderes dos partidos que formam o blocão governista também dizem por uma só voz que ele será bem-sucedido.
Mesmo assim, o governador não tem segurança de renunciar ao cargo em abril próximo, para efeito de desincompatibilização. Ele quer dar uma condução à sua sucessão. O vice-governador Wilson Martins quer dar outra. Daí surge o impasse que as conversas travadas até agora entre os dois não conseguiram superar.
Wellington, se não sair, estará jogando fora oito anos de mandato de senador. Em nome de quê ele sacrificaria, sem a menor necessidade, a sua vitoriosa carreira política? Wilson, se não assumir em abril, estará perdendo um mandato-tampão de dez meses de governo. Quem dos dois tem mais a perder?
Na oposição, o prefito Sílvio Mendes também está com vontade no corpo inteiro de concorrer ao governo. Ele espera até o final do mês reunir as condições para tanto. Se sair, o prefeito sabe que estará entregando a Prefeitura a um adversário político. Elmano Férrer lutará pela eleição do presidente do seu partido, o senador João Vicente Claudino.
Mesmo asssim, Sílvio não tem qualquer receio em transmitir o cargo ao seu vice, que governará durante quase dois terços do mandato. Nas avaliações que fez, o prefeito concluiu que passando o cargo para seu vice estará entregando a Prefeitura e a cidade em boas mãos. Assim, o seu vice não chega a ser um problema que o deixe reticente quanto à sua saída, no início de abril. Se ele não renunciar ao cargo para ser candidato será por outro motivo.
Trocando em miúdos: o que sobra no prefeito de Teresina, falta no governador Wellington Dias – a confiança em seu vice.
Torre de Babel
A temperatura subiu ontem na chamada “base” governista, mais precisamente no PT. Quem acendeu o estopim foi o deputado federal Nazareno Fonteles. Ainda cedo, ele carimbou um veto explícito e irrevogável à candidatura do senador João Vicente Claudino (PTB) ao Governo do Estado como representante do blocão governista.
O deputado não parou por aí: ele exigiu do governador Wellington Dias que se empenhe pela candidatura do secretário de Educação, deputado federal Antônio José Medeiros, na sua opinião o único que tem afinidade com o projeto de governo do PT. E foi mais longe: prefere ser expulso do partido a votar no senador João Vicente. No meio da tarde, divulgou um manifesto reiterando suas posições.
***
Ainda pela manhã, o deputado federal Marcelo Castro, ainda pré-candidato ao governo pelo PMDB, revelou que o acordo feito em novembro passado na casa do governador Wellington Dias, com as lideranças da “base”, não prevê pesquisa como único critério de escolha do candidato oficial ao governo.
“Digamos que todas as lideranças escolham um candidato. Pesquisa não tem supremacia sobre os outros critérios. Se fosse só a pesquisa não precisaria de reunião”, ponderou. O PMDB, segundo Marcelo Castro, condiciona o apoio a uma escolha de acordo com os três critérios estabelecidos: pesquisa, afinidade com o projeto e capacidade de unir os aliados. “Somente pesquisa não define o candidato e não é o primeiro critério. O candidato tem que ser o que possua as três características”, sustentou.
***
O vice-governador Wilson Martins, pré-candidato do PSB ao governo do Estado, disse ontem que é cedo para o senador João Vicente Claudino pensar em ser governador do Piauí. Segundo ele, João Vicente precisa cumprir mais quatro anos de seu mandato como senador, antes de pensar em uma candidatura ao governo.
***
Foi este o clima de ontem no blocão do governo.
Dois pesos e duas medidas
As denúncias de mensaleiros começaram com o PT nacional, dentro do Palácio do Planalto, com a sociedade acompanhando um dos mais escabrosos escândalos políticos já vivido no Brasil. A denúncia envolveu o uso de milhões e milhões de reais, dinheiro público, puro e indiscutível, lavado por um cidadão chamado Marcos Valério, empresário publicitário de renome nacional. Do outro lado, a cúpula do governo Lula, a começar pelo ministro José Dirceu e o presidente nacional do PT, deputado José Genoino, o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, e outros não muito importantes considerados a fina flor da cúpula petista nacional. A lista dos denunciados pelo Ministério Público Federal chegou a 40!
Mandatos rolaram, caíram os Josés, Dirceu e Genoino. O primeiro, o mais enrolado, não teve coragem de enfrentar o povo. O segundo virou deputado de novo. João Paulo Cunha, que tinha sido presidente da Câmara, também foi pego com a mão na massa.
Acuado, o PT foi buscar e descobriu um mensalão no PSDB de Minas Gerais, pegando em cheio o senador e ex-governador Eduardo Azeredo, que, a exemplo dos petistas, também não foi preso e ainda resiste às denúncias. Aliás, sequer o STF levou a julgamento os 40 denunciados pelo procurador geral da República e pelo ministro relator Joaquim Barbosa, que pediu punição para todos os denunciados. Dos 40 denunciados, a maioria voltou para o Congresso, já se passaram cinco anos, já vão para outra reeleição e o STF não os leva a julgamento.
No escândalo de Brasília, o denunciado, o governador José Roberto Arruda, que pertenciam ao DEM, acabou na cadeia. E por que ninguém do mensalão petista foi preso? A OAB, que se mostra tão altiva e vigilante, nada faz para cobrar do STF que julgue e bote na cadeia os mensaleiros do PT. Merece credibilidade quem age assim com dois pesos e duas medidas?
Que Arruda fique preso, mesmo antes de ser julgado. Aliás, o próprio STF está pedindo à Câmara Distrital de Brasília para processar Arruda, mas, o mantém prisioneiro, antes de ser julgado, sem lhe permitir, mesmo em sendo governador, o direito de se defender em liberdade.
Mas fica a pergunta aos srs. ministros do STF: e os outros vão continuar soltos? Até quando? E é para o povo achar que tudo isso não é hipocrisia? (Colaborou Tomaz Teixeira)
O andar da sucessão estadual sinaliza que para a disputa não se vislumbram ódio nem acirramento entre os contendores. E o fator que levou à configuração do quadro atual chega a ser até bizarro.
O senador João Vicente Claudino, se escolhido mesmo como candidato do blocão governista, vem demonstrar a total falta de estatura dos nomes do PT para o exercício do cargo. Nessa hipótese, ele só será o candidato da chamada “base” diante da ameaça representada pela candidatura oposicionista do prefeito Sílvio Mendes.
O prefeito poderá sair candidato a governador não só por galvanizar o sentimento de oposição, mas, acima de tudo, por ter um vice com um comportamento de extrema discrição, sensatez e espírito público. Com esse perfil, ele dificilmente colocará Teresina em risco de descalabro administrativo.
Para embaralhar ainda mais o cenário, o vice-prefeito Elmano Férrer, apesar da excelente convivência com os tucanos, é do PTB e, portanto, alinhado com João Vicente. Isto é: o seu lado é o outro e ele entra sem pedir para entrar, sem forçar a barra e sem querer enganar.
Já o PMDB continuará na sua costumeira posição de arroz, ou seja, não dá gosto à comida, mas aumenta o volume, servindo só para acompanhar. O PDT e o PC do B ficarão apenas com o lanche, contentando-se tão-somente com a sobrevivência, sem direito de sonhar com mais nada.
Ao PT caberá apenas a dor de uma saudade do tempo de fartura de benesses que não voltará mais, e da fartura abundante dos processos pós- poder.
Enquanto isso, o vice-governador Wilson Martins corre olimpicamente em raia própria, exercendo o seu direito de sonhar e de buscar os seus objetivos, ou seja, sentar por quatro anos na cadeira de governador.
Ao governador Wellington Dias cabe uma dura conversa com o travesseiro para avaliar se deixa Wilson assumir, para então se garantir como senador, ou se fica na cadeira para depois do pleito correr o risco de voltar para a Caixa da Caixa Econômica e ver Wilson retornando para o consultório.
A angústia da educação
Não é difícil entender a angústia do senador Cristovam Buarque com o desprestígio da educação no Brasil. A sua pregação sobre o assunto, no meio político, é quase solitária. Como ministro da Educação, no início do primeiro mandato do presidente Lula, ele não teve tempo de pôr em prática as suas ideias. Foi exonerado antes de esquentar a cadeira.
Antes de entrar na questão central deste artigo é imperioso reconhecer que a educação pública deu um salto espetacular no governo Lula. Muito de bom foi acrescentado ao que já existia, como a transformação do Fundef em Fundeb, a expansão do ensino médio, tecnológico e universitário e, mais recentemente, a criação do piso nacional dos professores.
O governo federal vem fazendo a sua parte. Falta a parte dos Estados e dos Municípios. Mas falta, principalmente, a parte da sociedade. A sua omissão diante da questão chega a ser chocante. Poucos, além das partes diretamente interessadas – professores e alunos – se dedicam a discutir a educação pública.
Um exemplo: o Estado do Piauí atrasou em mais de um mês a abertura do ano letivo de 2010, finalmente iniciado na segunda-feira passada, dia 1º.
Mais de 356 mil alunos matriculados nas escolas públicas da rede estadual ficaram sem aulas e praticamente ninguém se sentiu incomodado com isso. Praticamente ninguém cobrou a volta das aulas.
O Estado atrasou o início do novo período letivo por falta de professores, segundo a sua explicação. Ocorre que as aulas foram iniciadas e em muitas escolas ainda faltam professores. Certamente serão feitos arranjos para que o calendário escolar siga adiante. Certamente, também, os prejuízos para os alunos serão irreparáveis.
Há poucos dias, a greve dos policiais civis do Piauí mobilizou todas as autoridades do Estado – do governador ao Tribunal de Justiça, passando pelo Ministério Público e o Ministério da Defesa, além da OAB. De todo lado surgiram engravatados tentando intermediar uma solução para o problema. As escolas passaram mais de um mês fechadas e ninguém sentiu falta.
É isso que angustia!
A angústia da educação
Não é difícil entender a angústia do senador Cristovam Buarque com o desprestígio da educação no Brasil. A sua pregação sobre o assunto, no meio político, é quase solitária. Como ministro da Educação, no início do primeiro mandato do presidente Lula, ele não teve tempo de pôr em prática as
suas ideias. Foi exonerado antes de esquentar a cadeira.
Antes de entrar na questão central deste artigo é imperioso reconhecer que a educação pública deu um salto espetacular no governo Lula. Muito de bom foi acrescentado ao que já existia, como a transformação do Fundef em Fundeb, a expansão do ensino médio, tecnológico e universitário e, mais recentemente, a criação do piso nacional dos professores.
O governo federal vem fazendo a sua parte. Falta a parte dos Estados e dos Municípios. Mas falta, principalmente, a parte da sociedade. A sua omissão diante da questão chega a ser chocante. Poucos, além das partes diretamente interessadas – professores e alunos – se dedicam a discutir a educação pública.
Um exemplo: o Estado do Piauí atrasou em mais de um mês a abertura do ano letivo de 2010, finalmente iniciado na segunda-feira passada, dia 1º.
Mais de 356 mil alunos matriculados nas escolas públicas da rede estadual ficaram sem aulas e praticamente ninguém se sentiu incomodado com isso. Praticamente ninguém cobrou a volta das aulas.
O Estado atrasou o início do novo período letivo por falta de professores, segundo a sua explicação. Ocorre que as aulas foram iniciadas e em muitas escolas ainda faltam professores. Certamente serão feitos arranjos para que o calendário escolar siga adiante. Certamente, também, os prejuízos para os alunos serão irreparáveis.
Há poucos dias, a greve dos policiais civis do Piauí mobilizou todas as autoridades do Estado – do governador ao Tribunal de Justiça, passando pelo Ministério Público e o Ministério da Defesa, além da OAB. De todo lado surgiram engravatados tentando intermediar uma solução para o problema. As escolas passaram mais de um mês fechadas e ninguém sentiu falta.
É isso que angustia!
A angústia da educação
Não é difícil entender a angústia do senador Cristovam Buarque com o desprestígio da educação no Brasil. A sua pregação sobre o assunto, no meio político, é quase solitária. Como ministro da Educação, no início do primeiro mandato do presidente Lula, ele não teve tempo de pôr em prática as
suas ideias. Foi exonerado antes de esquentar a cadeira.
Antes de entrar na questão central deste artigo é imperioso reconhecer que a educação pública deu um salto espetacular no governo Lula. Muito de bom foi acrescentado ao que já existia, como a transformação do Fundef em Fundeb, a expansão do ensino médio, tecnológico e universitário e, mais recentemente, a criação do piso nacional dos professores.
O governo federal vem fazendo a sua parte. Falta a parte dos Estados e dos Municípios. Mas falta, principalmente, a parte da sociedade. A sua omissão diante da questão chega a ser chocante. Poucos, além das partes diretamente interessadas – professores e alunos – se dedicam a discutir a educação pública.
Um exemplo: o Estado do Piauí atrasou em mais de um mês a abertura do ano letivo de 2010, finalmente iniciado na segunda-feira passada, dia 1º.
Mais de 356 mil alunos matriculados nas escolas públicas da rede estadual ficaram sem aulas e praticamente ninguém se sentiu incomodado com isso. Praticamente ninguém cobrou a volta das aulas.
O Estado atrasou o início do novo período letivo por falta de professores, segundo a sua explicação. Ocorre que as aulas foram iniciadas e em muitas escolas ainda faltam professores. Certamente serão feitos arranjos para que o calendário escolar siga adiante. Certamente, também, os prejuízos para os alunos serão irreparáveis.
Há poucos dias, a greve dos policiais civis do Piauí mobilizou todas as autoridades do Estado – do governador ao Tribunal de Justiça, passando pelo Ministério Público e o Ministério da Defesa, além da OAB. De todo lado surgiram engravatados tentando intermediar uma solução para o problema. As escolas passaram mais de um mês fechadas e ninguém sentiu falta.
É isso que angustia!
Tudo acertado: Sílvio será candidato
Depois de um ano, voltei ontem ao Palácio da Cidade. O que vi por lá: um clima de despedida, apesar de ninguém falar nada sobre a sucessão estadual, muito menos sobre a saída do prefefeito Sílvio Mendes, no dia 2 de abril próximo, para concorrer ao cargo de governador.
Fui ao Palácio da Cidade a convite do prefeito Sílvio Mendes, que ontem ofereceu almoço a uma delegação de benfeitores italianos. São famílias de Bérgamo, que chegaram ao Piauí através do padre Pedro Balzi. Os visitantes vêm a Teresina desde 1987, quando passaram a colaborar financeiramente com o padre Pedro em várias obras sociais na Vila da Paz.
Conheço o grupo e, na visita do ano passado, nos encontramos num almoço de confraternização oferecido pelo prefeito e sua esposa, doutora Maria Inês Mendes. A página 4 desta edição traz uma matéria com mais informações sobre a nova visita dos italianos.
Como informei no início do texto, a última vez em que estive no Palácio da Cidade foi há um ano, quando acompanhei a delegação de empresários chineses que o Grupo R. Damásio trouxe a Teresina. Os empresários foram recebidos pelo prefeito com um almoço, em retribuição à recepção que teve na China, em 2007, quando visitou o país.
Ontem, apenas dois secretários acompanharam o almoço: Felipe Mendes (Finanças) e Washington Bonfim (Educação), além do secretário-executivo de Planejamento, Augusto Basílio. Eles não conversaram sobre política, mas trataram informalmente de assuntos administrativos, falando de providências que devem ser tomadas até o final do mês, impreterivelmente.
O prefeito Sílvio Mendes estava completamente relaxado, brincou com os visitantes, dispensou a imprensa e também a sua assessoria. Quando o secretário Felipe Mendes sinalizou que iria sair antes do almoço, o prefeito brincou: “Fique! Você não vai pagar nada. O almoço já está pago”. Apesar do espírito leve e brincalhão, Sílvio não deu uma palavra sobre política.
Nem ele nem ninguém mais. Ninguém na Prefeitura falou nem fala sobre o assunto. Ninguém fala por palavras, mas fala por gestos: todo mundo está limpando as gavetas para entregar os cargos.
O que é isso, companheiro?
O presidente Lula passou descompostura ao vivo, em rede nacional, através de videoconferência transmitida pelo Portal Brasil e TV Meio Norte.
Disse o presidente: “Eu vou chamar aqui o governador Wellington Dias para que ele fale com o pessoal da Casa Meio Norte, para que ele tome a casa Meio Norte como exemplo que é para ver se melhora a sua performance.”
Foi durante videoconferência no lançamento do site Portal Brasil. O presidente falou para estudantes da Escola Meio Norte, mantida pelo Grupo Meio Norte e a Prefeitura de Teresina e dirigida pela professora Rutinéia Moraes. O presidente chamou a presença do governador ao palco dos acontecimentos. Ele estava falando com o menino Álvaro Luan e fez o comentário sobre o governador, que estava na plateia e mais do que depressa se levantou e compareceu ao palco.
Foi a segunda “casquinha” que o presidente Lula tirou do governador do Piauí. Há poucas semanas, Lula afirmou, durante reunião com seus ministros, que o governador Wellington Dias não fez obras no Piauí e se apropriou de obras realizadas pelo governo federal. A informação foi publicada pelo jornal O Globo, em nota a seguir reproduzida:
“O presidente Lula cobrou de seus ministros que divulguem suas realizações e reclamou da apropriação de obras do governo federal pelas administrações estaduais. Citou como exemplo justo um petista, o governador Wellington Dias (PI). O presidente contou que foi ao estado e o governador disse que ia lhe mostrar um filme com as realizações do governo. ‘Rodava, rodava e não tinha nada do governo federal. Aí eu disse: Pô, Wellington, cadê o governo federal?’. Envergonhado, o governador teria tentado consertar: ‘Meu assessor me deu o filme errado. Não é esse não’, disse Lula, para gargalhada geral dos seus ministros”.
Decididamente, o governador não vive um bom momento político. Os fatos de Brasília não avalizam, por enquanto, a propagação que seus companheiros fazem no Piauí dando conta de que ele será um dos coordenadores da campanha presidencial da ministra Dilma Rousseff no Nordeste. (Com informações de Toni Rodrigues, do portal 180graus)
E agora, José (Wellington)?
Os petistas têm divulgado, com um certo ufanismo, que o governador Wellington Dias vai coordenar a campanha da ministra Dilma Rousseff à presidência da República, no Nordeste, e será um de seus ministros. Não custa sonhar. Foi do sonho e da luta que o PT chegou ao poder, depois de muito apanhar nas urnas.
Porém, é muito difícil o governador do Piauí se projetar como uma liderança nacional, como articulador de uma campanha presidencial, se ele não está dando rumo nem à sua própria sucessão. Como disse o senador Heráclito Fortes, na semana passada, Wellington não consegue coordenar a eleição dentro de sua própria casa.
Por um erro de estratégia seu, os principais partidos da chamada “base” aliada estão em pé-de-guerra. É pouco provável que fumem o cachimbo da paz até o final deste mês, quando deverá ser anunciado o candidato do esquema governista à sucessão de Wellington Dias.
A dúvida já começa daí: será um candidato efetivamente do bloco governista ou um candidato exclusivamente do governador, fruto de conchavos de cúpula feitos por ele? Que critérios vão orientar esta escolha além dos que foram discutidos com todos os pré-candidatos, na casa dele, em novembro passado?
Com a caneta cheia, o governador Wellington Dias se achou esperto e hábil demais. Não era para menos. A toda hora ouvia isso dos companheiros do PT, dos aliados e da mídia que ele domesticou a peso de ouro. Assim, não se preocupou em encaminhar a sua sucessão. Numa atitude entre sagaz e patética, deu corda a quatro pré-candidatos, quando, pelo que se sabe, já estava apalavrado com um deles.
O resultado é que, agora, com a caneta se esvaziando, o governador começa a pagar o preço de sua desmedida e dissimulada vaidade política, sensível aos elogios insinceros. Por mais que bata cabeça, não encontra a fórmula mágica para um desfecho favorável do processo, que seria a sua candidatura ao Senado e o apoio de todo o bloco ao seu candidato ao governo.
Sua candidatura ao Senado está ameaçada de não se viabilizar. E o que é mais grave, para ele e seu bloco político: mesmo ficando no governo até o final do mandato, sacrificando a sua candidatura a senador, ainda assim dificilmente conseguirá apaziguar os ânimos em seu esquema e manter a “base” unida.
O jornalista Oscar de Barros, secretário de Comunicação do governador Wellington Dias no seu primeiro mandato e atual presidente da Fundação Cepro, postou em seu blog, no Acessepiauí, um comentário sobre a sucessão estadual. Reproduzo, a seguir, com edição, o texto de Oscar de Barros, por se tratar de um militante e dirigente histórico do partido que conhece bem a alma do PT:
“Nos próximos dias o diretório regional do PT do Piauí estará se reunindo para uma pauta extremamente sensível: a sucessão de 2010. Como diretoriano que sou, externarei aqui a posição que vou adotar naquela reunião.
Para mim o PT deve ter candidatura própria ao governo do Estado com o deputado Antonio José Medeiros - nome já lançado. Quanto a questão do governador do Estado, Wellington Dias, sua desincompatibilização do cargo, e a candidatura ao senado, penso que esta, é uma tomada de decisão, exclusiva do próprio Wellington Dias. Decidindo permanecer no cargo, para finalizar o governo, ou desincompatibilizando-se para a candidatura ao senado, Wellington Dias, teria de mim, e sei que de todo o PT, total apoio. O ideal é a candidatura de Wellington Dias ao senado.
Resumindo a posição: o PT prioriza a eleição de governador do Estado, com o nome do deputado Antonio José Medeiros e, se Wellington Dias, decidir-se pelo senado, o Partido embala-se nas duas candidaturas com a garra e alegria que sempre o caracterizaram nas eleições piauienses. Assim será meu voto.
Aos argumentos que sustentam tais posições.
1 - O PT nasceu para disputar o poder. O PT não nasceu para coadjuvar o poder. Os partidos que escolhem a opção de apenas estar no poder, sem liderá-lo, acabam se descaracterizando e perdendo força na conjuntura política da cidade, do estado e do país. Isso não significa fechar-se ao diálogo com outras forças políticas.
2 - O PT deve ter candidato próprio por que está à frente do governo estadual e federal e está com larga popularidade. Com candidato próprio, a população tem a certeza de que o projeto que deu certo com Lula e Wellington Dias vai continuar. Precisa-se se desmistificar uma coisa: os governos são do PT. Não são de Wellington e Lula. Está certo que os dois são dotados de profundo carisma e empatia direta com a população. Mas dependem do PT. Exemplo: mesmo com o extraordinário carisma do qual é dotado e na condição de candidato à reeleição, Lula não conseguiu ganhar de Geraldo Alckmin no primeiro turno da última eleição presidencial. Ganhou no segundo turno".
As especulações e boatos crescem com o afunilamento das definições sobre as candidaturas majoritárias para as eleições de 2010. Tudo porque as candidaturas ao governo devem estar postas até o início de abril. Não custa jogar mais lenha na fogueira: como ficarão o vice-governador Wilson Martins e o prefeito Sílvio Mendes. Eles ainda tem condição de deixar de ser candidatos, em qualquer que seja o cenário?
Como se sabe, foi o vice-governador que deu um nó na sucessão, dentro da coligação governista. Desde o primeiro momento, ele bateu o pé: se assumir o governo, será candidato à sucessão de Wellington Dias. Como o governador tem sinalizado que pretende deixar em sua cadeira é outra pessoa, e não o vice, o time do governo embolou na pequena área.
Admitindo-se, entretanto, que Wellington Dias pode abdicar da candidatura de senador e ficar no mandato até o final – o que é muito pouco provável –, o vice-governador acaba por aí a sua pretensão de ser candidato ou segue em frente? Com que cara ele ainda pode desistir de concorrer ao governo depois de fazer tanto barulho e estar razoavelmente bem colocado nas pesquisas de intenção de voto?
Do mesmo modo, o prefeito Sílvio Mendes também terá ambiente para recuar, depois de alimentar por tanto tempo a oposição com a possibilidade de sua candidatura ao governo? Caso ele decida continuar na Prefeitura de Teresina, as oposições perdem o pleito deste ano já por antecipação, pois não dispõem de outro nome para o pleito.
O que se observa é que tanto o vice-governador quanto o prefeito de Teresina fazem um caminho sem volta para suas candidaturas a governador. A desistência de qualquer um deles, a estas alturas, seria o fim precoce de suas carreiras políticas, tendo em vista a disputa futura de cargos majoritários. Quem, entre as lideranças políticas, ainda iria confiar neles?
Em outras palavras: Wilson Martins e Sílvio Mendes esticaram a corda demais. Agora não tem como soltá-la sem prejuízos irreparáveis para suas carreiras e, sobretudo, para os seus partidos.
O vereador e ex-prefeito Firmino Filho fez um diagnóstico discutível sobre o comportamento da oposição, no Piauí, em entrevista concedida na sexta-feira à jornalista Cláudia Brandão, na TV Clube. Ele disse que a oposição cumpriu bem o seu papel no primeiro mandato do governador e deixou a desejar na segunda gestão.
Há um flagrante erro de avaliação no diagóstico de Firmino, que presidiu o PSDB por muitos anos. Na verdade, a oposição se comportou muitíssimo bem durante os dois mandatos do governador. Em poucos momentos, perturbou a sua administração. Os embaraços que o governo teve foram provocados pelo próprio governo ou pelo seu partido. A oposição só assistiu de camarote.
O que se viu, desde o primeiro mandato de Wellington Dias, foi uma corrida desenfreada e desesperada por cargos, com adesistas querendo entrar no governo a qualquer custo. Foi assim na composição da primeira equipe, foi assim na reeleição e foi assim, também, na formação da equipe do segundo mandato.
A conduta da oposição trouxe um prejuízo irreparável para a vida política e administrativa do Estado. Isso dificilmente será percebido agora. Mas a conta chegará a médio prazo. Uma oposição mais atenta e mais combativa teria contribuindo para que o governo Wellington Dias acertasse mais e errasse menos. O Piauí indiscutivelmente ganharia com isso.
O presidente regional do DEM, deputado federal José Maia Filho, o Mainha, deu um diagnóstico mais preciso sobre a falta de oposição ao governo. Ele disse que isso teve um custo muito alto para o Estado, traduzido no inchaço da máquina administrativa, para acomodar os adesistas.
É possível que, agora, na sucessão estadual, a oposição venha a ocupar o seu espaço e que apresente um candidato com viabilidade eleitoral, no caso o prefeito Sílvio Mendes. Mas aí ela estará se beneficiando mais dos erros do governo na condução de sua sucessão do que propriamente de acertos seus em sua caminhada como oposição.
Recebi ontem do secretário de Meio Ambiente, Dalton Macambira, extensa nota que vai a seguir reproduzida parcialmente, por motivo de espaço: “Surpreendido com a Nota “Fumaça nos Olhos”, publicada na sua coluna do Jornal Diário do Povo, edição do dia 11/02/2010, no qual o nobre jornalista afirma: “não causa surpresa a decisão do Governo do Piauí pela exclusão da Serra Vermelha no Mapa da Mata Atlântica. Quem fez o mapa? O IBGE, um órgão oficial da maior credibilidade, baseado em estudos e critérios eminentemente técnicos”, venho solicitar, a titulo de DIREITO DE RESPOSTA, que esclareça aos leitores da Vossa prestigiosa coluna os seguintes aspectos:
Inicialmente é preciso esclarecer que não cabe ao Governo do Estado do Piauí incluir ou excluir qualquer região do Estado nos mapas de Biomas do Brasil. Essa é uma atribuição exclusiva do IBGE que é o órgão oficial de Cartografia do nosso País. Portanto, a afirmação contida na nota é totalmente descabida e tendenciosa, por se tratar de uma inverdade.
De fato, o mapa do IBGE denominado Mapa de Aplicação da Lei n° 11.428/06 (Lei da Mata Atlântica), publicado com a edição do Decreto nº 6.660/2008, incluiu áreas mapeadas com vegetação do tipo Floresta Estacional Decidual e Floresta Estacional Semidecidual existentes no território de 46 municípios do Estado, com percentuais variando de 0,29%, em Floriano a 97,10%, em União, totalizando cerca de 10 % da área do Piauí.
Desde então, o nosso posicionamento tem sido o da mais absoluta cautela em relação ao tema, devido não só as reações contrárias à interpretação do disposto na Lei da Mata Atlântica, oriundas de técnicos do IBAMA/PI, da FUNDHAM e de professores da UFPI, como das implicações restritivas que a lei impõe ao território abrangido pelo Bioma.
Neste sentido, desde o primeiro momento buscamos junto ao Ministério do Meio Ambiente e ao próprio IBGE, um diálogo visando a harmonia da aplicação da legislação em questão no Estado do Piauí, com a garantia jurídica dos procedimentos de gestão ambiental, de modo a não trazer prejuízos para as atividades socioeconômicas em andamento, pela vigência de um mapa supostamente equivocado ou de uma legislação imprecisa.
(...) Por fim, mas não menos importante, não existem dúvidas técnicas sobre a localização do Bioma da Mata Atlântica no Brasil. E, neste sentido, a nossa posição tem sido a de defender os interesses do Estado e de todos os seus cidadãos indistintamente, não procedendo de forma alguma, insinuações de que defendemos os interesses privados".
A intenção pode ter sido das melhores, mas a verdade é que, na prática, marcar consultas e exames pelo Iapep, diretamente na clínica, só trouxe maiores dificuldades para o segurado. No caso das consultas, o interessado ainda pode correr o dedo no telefone e sair procurando o especialista para o seu problema.
Se já tiver o seu médico de costume, a resposta poderá ser esta: “Ele não atende mais pelo Iapep”. A essas alturas, mudar de médico pode acarretar sérias consequências para o segurado. Os que têm condições financeiras preferem pagar as consultas e continuar com o mesmo profissional. É mais seguro.
Em relação aos exames, o médico geralmente recomenda as clínicas de maior conceito na praça. Mas ele não tem a obrigação de ligar para saber se elas ainda atendem pelo Iapep. O segurado pode se deparar com a seguinte situação: depois de ficar algum tempo aguardando na fila da clínica, quando chega a sua vez a atendente pode simplesmente dizer assim, após acessar o Site do Iapep: “o exame não está autorizado”.
A não autorização decorre do fato de a referida clínica já ter ultrapassado o número de exames que o Iapep considerou suportável para aquele mês. Portanto, não se trata de mau atendimento da Clínica. Ela acessa o sistema e informa o que é do seu dever.
A adoção da marcação de consultas diretamente no consultório médico poupou os funcionários do Iapep daquele trabalho que era feito na sede do órgão, com longas e demoradas filas. Lá o segurado chegava e logo era informado sobre quais consultórios e clínicas estavam aptos a atender.
“Ah, mas agora o governo resolveu acabar com as filas no Iapep. O segurado não precisa mais acordar de madrugada ou pagar alguém para lhe guardar um lugar na fila” - diziam os arautos da utopia, cheios de convicção.
Ficar na fila pelo menos deixava a pessoa parada em um mesmo lugar, bem diferente de ficar percorrendo a cidade com uma requisição de exames, à procura de uma clínica habilitada a atendê-lo pelo Iapep. Mas foi assim que o Instituto resolveu tratar o seu segurado, e ai daquele que se atrever a dizer que antes era melhor. (Colaborou Raimundo Cazé)
O político é comumente comparado à raposa, pela sua astúcia, a sua malícia e a sua elevadíssima capacidade de dissimulação. Nenhum fica ofendido quando é chamado de raposa felpuda. Chega a ser até a glória suprema ser reconhecido como o mais esperto entre os de sua espécie. O que ofende a vaidade do político é ser apontado como pato.
Desde a deflagração precoce do processo sucessório estadual, apenas um dos atores vem falando o tempo inteiro o mesmo enredo: é o vice-governador Wilson Martins: se ele assumir o governo, será candidato a governador. Esta é, também, a expectativa de seu partido. Já disse alguma coisa diferente disso?
O outro político que também diz o que pensa é o deputado federal Nazareno Fonteles. Suas críticas ao PTB e aos demais aliados são sinceras, ao contrário dos elogios que um ou outro petista faz ao senador João Vicente Claudino. Nazareno pode pecar pelo excesso, jamais pela falta de coerência.
Se a sua franqueza prejudica os entendimentos entre os partidos da “base” aliada, aí já é outra história.
O que não pode ser negado é que ele fala não apenas por si, mas por muitos outros petistas que não encontram razão para o partido abdicar da candidatura própria em favor de quem quer que seja, nas próximas eleições.
A questão é que o PT, a vida inteira, aprendeu a discutir internamente suas decisões. Até se dizia, em tom de pilhéria, que o partido chegava a marcar uma reunião para marcar uma reunião. Agora, no entanto, é diferente. O PT começa a fechar acordos de cúpulas, a fazer conchavos políticos, sem passar pela base.
É esse novo pragmatismo do PT, e não propriamente o “radicalismo” do deputado Nazareno Fonteles, que está provocando mal-estar no partido. O que há de incoerente no fato de o deputado defender, à sua maneira, a candidatura própria, se os demais aliados também defendem com unhas e dentes os nomes de seus candidatos a governador?
Em outras palavras, Wilson Martins e Nazareno Fonteles não estão tentando enganar a ninguém.
O centro de Teresina viveu ontem um clima de guerra civil, curiosamente provocado pela própria polícia.
A Polícia Civil, que está em greve desde o carnaval, entrou em confronto contra a Polícia Militar. O motivo da briga: os grevistas não permitiram entrada de alimentos no Instituto Médico Legal (IML). Três policiais civis ficaram feridos a bala.
O confronto só não teve consequências mais graves porque o Ministério Público atuou prontamente na questão, procurando apaziguar os ânimos. Os policiais estavam muito exaltados, de um lado e do outro. Sem a interferência dos três representantes do Ministério Público que compareceram à manifestação poderia ter havido uma tragédia.
Não se nega aos policiais civis o direito de greve, muito menos a uma remuneração mais justa e a melhores condições de trabalho. Mas, no atual movimento, eles agem à margem da lei. A Justiça já decretou e reiterou a ilegalidade da greve. Só por isso, ela já deveria ter sido suspensa. Novos mecanismos de pressão deveriam ter sido acionados.
O que se tem visto, desde a deflagração da greve, é mais uma implicância dos policiais civis com o secretário de Segurança, Robert Rios, do que a apresentação concreta de reivindicações que justifiquem o movimento. Ontem, por exemplo, muitos grevistas gritavam na rua: ‘Fora Robert!’
Oficialmente, o que os grevistas querem? Reduzir a diferencia entre o subsídio recebido pelos delegados e os agentes. Questionam gratificações pagas aos delegados (R$ 1.800,00) e aos peritos (R$ 1.200,00). Os agentes receberam zero de vantagem.
Os agentes têm um documento assinado na Justiça do Trabalho, quando da implantação do subsídio, que garante aumentos até o final de 2010. Por esse acordo (que está em dia) está previsto um aumento de 7.44 em maio e outro de 7.44 em novembro.
Dois sindicatos que congregam os policiais civis estão medindo força, radicalizando suas posições. O que a sociedade ganha com isso? Absolutamente nada. Se já há uma sensação de insegurança com a polícia trabalhando, imagine como o cidadão se sente com essa polícia em greve.
Nesta sucessão estadual, o vice-governador Wilson Martins (PSB) está como trator: é bom de serviço, mas não serve para passeio. Ele foi bom para ajudar Wellington Dias a se reeleger e tem se comportado bem como vice, colaborando sempre com o governo.
O nó do processo sucessório se dá, porém, porque o vice se nega a aceitar a renunciar ao cargo e sair para ser candidato a senador ou a ficar no governo sem concorrer à sucessão do governador Wellington Dias.
O governo deu estas duas alternativas para Wilson Martins. Ele refutou a ambas, disposto que está a, em assumindo o governo, pleitear um novo mandato nas próximas eleições. Disso não faz segredo para ninguém. Se não querem que ele seja candidato a governador, que não lhe passem o comando da sucessão estadual.
Wilson Martins topa outros acordos. Um deles é votar no senador João Vicente Claudino para governador, daqui a quatro anos, desde que receba agora o apoio do presidente do PTB. O vice garante que tem como cumprir o acordo, pois em 2014 não poderá ser candidato ao governo outra vez. Até aqui sua proposta não foi considerada.
O problema maior no bloco do governo é que cada um dos quatro pré-candidatos se acha em condição de ser o escolhido para representar o grupo como candidato a governador. Há muito tempo, o senador João Vicente é quem lidera as pesquisas de intenção de voto, porém os demais pretendentes avaliam que podem superá-lo até junho.
Daí vem outro problema, também grande: o prazo fixado pelas lideranças da “base” para definição do candidato é março. Só que esse prazo está cada vez mais próximo e o consenso cada vez mais distante. Que mágica o governador Wellington Dias fará até o final de março para unificar o seu blocão?
O vice-governador Wilson Martins já se mexeu o quanto podia e devia. Agora é só esperar. O governo terá que, mais dia, menos dia, mostrar se de fato confia nele ou não. E, dependendo do tratamento que ele receber, assim será o seu comportamento na próxima campanha para governador.
Se renunciar ao mandato no dia 2 de abril, para ser candidato a governador, e for bem-sucedido na campanha, o prefeito Sílvio Mendes estará marcando um gol de placa na política estadual: de um técnico que fazia questão de se apresentar como tal, ele passaria para trás experimentadas raposas da política estadual.
O mesmo lance já foi protagonizado pelo ex-prefeito de Parnaíba, Mão Santa, em 1994, e pelo deputado federal Wellington Dias, em 2002. Eles chegaram ao Governo do Estado em campanhas surpreendentes, que apontavam os adversários como franco-favoritos. Há, no entanto, uma diferença entre os dois vitoriosos candidatos e o prefeito de Teresina.
Mão Santa estava sem mandato e nada tinha a perder. Então, aceitou ser candidato a governador, quando sua derrota era dada como certa. Wellington Dias concorreria ao Senado, em 2002, mais de olho na Prefeitura de Teresina, nas eleições seguintes, de 2004, do que propriamente acreditando em sua vitória.
Em relação ao prefeito de Teresina, a situação é outra: ele está no segundo mandato, tendo sido reeleito em 2008 com a maior votação da história da cidade. Sua administração é bem avaliada e, se sair para ser candidato, estará entregando o cargo e a caneta para um potencial adversário, o PTB do senador João Vicente Claudino.
O prefeito de Teresina, tem, entretanto, uma vantagem sobre seus adversários: nenhum deles ficou assim tão cara a cara com o gol tão cedo quanto ele. Sílvio começa a campanha já liderando as pesquisas de intenção de voto. Sua largada é de 30 por cento das preferências dos eleitores piauienses e com chances de crescer mais, pois sua rejeição é a menor entre todos os pretendentes à sucessão do governador Wellington Dias.
Vitorioso em 2010, Sílvio Mendes se afirma como uma nova liderança da política estadual. Derrotado, sofrerá duplamente a queda e o coice: perderá o governo e a Prefeitura de Teresina, comprometendo um projeto de poder, o dos tucanos, que já se arrasta vitoriosamente por cinco eleições municipais consecutivas na capital.
Os holofotes da mídia local estiveram voltados durante a semana para as fissuras que ameaçam a coligação governista para as eleições de 2010. A “base”, como é chamado o blocão do governo, reúne o PT e mais 11 partidos, mas está ameaçada de se esfacelar até 2 de abril, o prazo para o início das definições.
A principal delas é, sem dúvida, quanto à posição do governador Wellington Dias. Ele ficará no cargo até o final do mandato ou sairá para concorrer ao Senado? Só ele poderá dar a resposta. E seguramente não fará isso antes de 2 de abril. Até lá ficará admitindo as duas possibilidades, com o objetivo, claro, de colher algum fruto.
O consenso que o governador imaginava fácil, com o lançamento de quatro pré-candidatos a governador só pela “base”, está cada vez mais distante. Os ânimos estão acirrados e as posições estão se radicalizando no PT, no PSB e no PTB, além do PMDB, os quatro partidos que tiveram condição de apresentar candidatos à sucessão de Wellington.
São dominantes as avaliações de que o governador errou em sua estratégia, ao permitir e até incentivar o lançamento de quatro pré-candidatos. O presidente Lula, por exemplo, desde o início se fixou apenas em um nome – o da ministra Dilma Rousseff, que tem se viabilizado plenamente, embora ela nunca tenha concorrido a uma eleição.
Com o barulho na coligação governista, poucos percebem que a situação é delicada, também, nas hostes da oposição. Enquanto o bloco governista pecou pelo excesso de nomes, o da oposição peca justamente pela escassez. Apenas o prefeito Sílvio Mendes está em condição de ser um candidato competitivo ao governo do Estado nas próximas eleições.
Se, por algum motivo, o prefeito de Teresina não renunciar no dia 2 de abril para ser candidato o que será da oposição? Até aqui a pré-candidatura do prefeito tem animado tanto a oposição quanto o próprio governo. Quando se põe como uma opção viável, Sílvio acaba por valorizar também os diversos partidos que compõem a “base”.
Os rumos da sucessão passam, por conseguinte, por Wellington e Sílvio, que, no entanto, só terão posições definitivas em 2 de abril.
Mais uma vez cancelada a tão esperada reunião do governador Wellington Dias (PT) para definição do candidato a sucessão no estado e para definição se ele vai ser mesmo candidato a senador ou não! Para alguns esse clima de indefinição afeta, e muito, a imagem de W.Dias e de todo o blocão govenista. Você concorda?
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