Em audiência realizada na manhã desta terça-feira (30/06), no auditório do Ministério Público Estadual, discutiu-se a possível retirada dos símbolos religiosos em repartições públicas. A audiência foi motivada por uma representação formulada por 14 entidades da sociedade civil, solicitando que os símbolos fossem removidos e que os agentes públicos se abstivessem de exprimir suas tendências.
O Promotor de Justiça Edilsom Farias coordenou os trabalhos, e falou, logo no início do debate, sobre a importância da serenidade e do respeito no trato de um tema tão delicado. Objetivava-se chegar a um Termo de Ajustamento de Conduta, compromisso jurídico firmado após o consenso entre as partes.
Dois princípios constitucionais estavam em xeque: a laicidade do Estado e a liberdade de crença. De acordo com a representante das entidades da sociedade civil, Marinalva Santana, a pluralidade religiosa no Brasil não deve ser negada, em favor de uma doutrina supostamente majoritária. “No Estado laico, a fé é questão privada. Além disso, provou-se nos últimos recenseamentos que a população católica não é mais maioria. Queremos apenas garantir que os recursos públicos não sejam desviados para a subvenção de algum culto, qualquer que seja ele.”
A Prof. Adriana Borges Ferro, da Arquidiocese de Teresina, alegou que a existência dos símbolos católicos nos órgãos públicos devia-se à própria configuração cultural do país. “Para realmente seguir o que está sendo proposto, deveriam ser extintos feriados como o Corpus Christi e o Natal, trocar nomes de cidades como São Paulo e São Raimundo Nonato, além de implodir monumentos como o Cristo Redentor.” A argumentação da Arquidiocese fundamentou-se basicamente na afirmação de que o Estado laico é um Estado tolerante, não um Estado indiferente. Assim, seriam livres as expressões religiosas, enquanto necessárias ao bem-estar espiritual dos servidores públicos.
Manifestaram-se também representantes das igrejas evangélicas e de outras entidades, a exemplo da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), das Católicas pelo Direito de Decidir, da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos e das doutrinas umbandistas. O Pastor William Vicente, da Igreja Batista, declarou que o proselitismo religioso é inclusive praticado nas escolas, pois obrigam estudantes a realizar orações e a assistir a aulas de Ensino Religioso de cunho eminentemente católico.
Ao fim da discussão, o Promotor Edilsom Farias reiterou aos presentes que a serenidade seria imprescindível no decorrer da lide. O Ministério Público está responsável pela redação do Termo de Ajustamento de Conduta, a ser formulado com base nos argumentos expressados, e posteriormente subscrito pelas partes. Caso não haja acordo, serão utilizadas as vias judiciais.

Espero que o meu Estado de origem, o meu Piauí seja um referência para o Brasil, e tenha seus orgãos públicas livres da propaganda reliosa.
Comente também
Isto deveria ter acontecido há muito tempo atrás! Não se pode admitir que uma pessoa seja boa ou má, só porque ela é religiosa ou não. Próximo passo é retirar das notas de dinheiro a frase: "deus seja louvado"
Comente também
Ô pastor William,se a escola é católica, ministra o culto católico, se é crente, ministra o culto crente. Francamente tanta coisa pra se preocupar. Isso tem nome intolerancia.
Comente também
O fim de semana promete ser prolongado para muita gente até a terça-feira, dia 7 de setembro. Muita gente viaja, aproveita a folga e curte um pouquinho mais de dias de descanso. Qual a melhor pedida para curtir esses dias de folga, na sua opinião?
Sugerir enquete