Coca-cola do deserto
O dr. Helder Eugênio, diretor-proprietário do Portal 180graus, achou de editar mensalmente uma revista de nome “Vitrine”. Na edição que chega às bancas nos próximos dias, tem uma seção chamada “As 10 maiores coca-colas do deserto”. O elenco, formado por 10 personalidades de Teresina, explica a revista, é composto de pessoas que se acham mais sabidas do que as outras. As tais mentes brilhantes são capazes de entender “de bosta de calango a foguete da Nasa.” Estão lá o dr. Cerqueira (Medplan), Siqueira Campos (Sa Propaganda), Silvio Leite (Pag Contas), Fernando Fortes (Construtora Mafrense), Firmino Filho (Fundação Municipal de Saúde), Gilberto Pedrosa (Associação Industrial), Elano Sampaio (Construtora Moana), Helder Eugênio (o próprio dono da revista), Joaquim Almeida (advogado) e o dr. Roberth Rios (secretario de Segurança). A revista só pecou porque me excluiu. Eu é que entendo de tudo. Desafio qualquer pé de cristão que se atreva a entender de política, economia e cultura geral mais do que eu. Pra falar a verdade eu sou mais por dentro do que talo de jaca em tudo enquanto é assunto. No frigir dos ovos, o que me falta em modéstia me sobra em esclepcência.
Eles tão é variando
E o assunto de sempre e do momento é pó-lí-ti-ca. Tenho ficado na espreita observando o que os mais renomados analistas dizem sobre os rumos da sucessão para governo no nosso estado, em 2010. Tenho lido e escutado o Pedro Tamanco, Carlos Augusto, Pires Sabóia e o Zózimo. As minhas leitoras e os meus leitores precisam acreditar no que vou dizer. O que estes daí disseram até agora sobre o assunto não vale a bufa de uma muriçoca. Estão todos mais por fora do que pensamento de preso. Vou presenteá-los, então, com a minha magistral análise. Sem tirar nem pôr.
Se correr, o bicho pega
Disse-me o Mão Santa, certa vez, que não tem bicho no mundo pra possuir o instinto de sobrevivência mais apurado do que político. Outro dia, me disse o secretário de Assuntos Internacionais do governo, Dr. Sergio Vilela, que ter um governo estadual na mão é melhor do que ter três mandatos de senador. Pois bem. É com base nestas duas premissas que analisarei a conduta do principal artífice desta eleição, o governador Wellington Dias.
1º Quadro: Wellington fica no governo para tentar eleger, como quer o PT, o Antonio José Medeiros. Aqui, claro, ele perde a chance de chegar ao Senado – (eleição tida e havida como certa). Fazendo isso, além de perder o foro privilegiado na justiça, interrompe de forma abrupta a sua escalada de poder que começou na vereança de Teresina, emendou com a de deputado estadual, pulou para federal e bi-governador. É mais fácil a Giselle Biti se apaixonar pelo Tererê, e ele num dá nem bola, do que o Antônio José se eleger governador! Por vários motivos. Neste cenário, perde o PT e o Wellington se lasca bem no meio, feito aquela partinha do penteado dele. Por ruim que pareça, este ainda não é o pior quadro para o governador. Vamos pra frente!
Se ficar, o bicho come
2º Quadro: Wellington fica no governo e enfia na goela da hoje fictícia “base aliada” o nome do João Vicente. Aqui continua perdendo o Senado. Mas aí as chances do JVC se eleger são reais, poderia me alertar alguém mais atento. No que eu concordo! E de já declaro que ele tem minha preferência, afinal, a petistinha lá de casa ainda hoje caça um padrinho de suce$$o. Só que quem diabo é que bota cabresto no Seu João e no filho dele? Onde já se viu peitada de formiga aluir coqueiro? Quer dizer que tem quem acredite que num governo claudinista o Wellington e o PT dele terão uma banda? Vai o JVC aturar o Assis Carvalho, o Jesus Rodrigues, o Nazareno Fonteles, a Regina Sousa e o sorriso maroto do João de Deus no gabinete dele cagando regra? Du-vi-de-o-dó e faço pou-q-o-có!
Como aconteceria no primeiro quadro, o Wellington continuaria a pé!
O mais é balela!
Então por que o Wellington está dizendo que fica? Será que ele já não analisou suas chances futuras? Eu respondo: Blefe! Puro blefe! E o Wilson Martins que além de sabido tem cara, caminhado e rastro de sabido, já percebeu isso! Já que o partido dele tem uma pomba como símbolo, se dá o luxo de empombar a sucessão e não amolece mais o pescoço! Diz, a quem lhe dá ouvidos, que se assumir é candidato. E vai assumir! O resto é ba-lé-le-a-lá!
Cavalo selado
Quanto ao Silvio Mendes. Aqui a minha análise é mais fácil. Ele sairá correndo da prefeitura!
Uma pesquisa encomendada pelos tucanos acendeu a luz amarela: o modelo do PSDB de administrar Teresina precisa de um fôlego. Já é muito tempo numa mesma pisada. Fora isso, Silvio não quer repetir Firmino Filho que não montou no cavalo quando ele passou selado. Naquela oportunidade Firmino era ainda um rapazote. O futuro ainda pode lhe dar razão.
Já Silvio já tem 70 e lá vai pedra (se ainda não tem, com aquela cabeleira e aquela barriga de tanque – cheio - parece!). Não tem mais tempo e nem fôlego para esperar por esta garapinha. Este assunto é outro que também já pode ser sepultado de vez.
Hit da eleição
E por falar em eleições, já circula pela internet o novo hit: o ROUBoleixon:
“Bote a mão na carteira que vai começaaaarrrrr, o ROUBoleixon-xon, o ROUBoleixon, o pegadeixon-xon, o pegadeixon, o prometeixon-xon, o prometeixon, o enganeixon-xon, o enganeeeeixon.O ROUBoleixon-xon, o ROUBoleixon, se você confirmar fica melhooooorrr...”
CRÍTICAS E SUGESTÕES PARA damasio.danilo@yahoo.com.br
Zé doidim
Se foi pensando que morreu um burro, eu devo confessar à minha leitora e ao meu leitor que nas semanas em que estive ausente deste espaço, andei bem pertim de vestir o paletó de madeira e descer nas cordas. Enfrentei problemas psicológicos e psiquiátricos da maior gravidade. Isso angustiou profundamente a minha alma e o meu pobre ser. Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas! Era só o que eu tinha no juízo.
Minha analista, a dra. Fátima, me aconselhou a dividir a minha aflição com o máximo de gente que eu poder. Segundo ela, é uma terapia. Então, vou lhe dizer os questionamentos que me atordoam: o Wellington sai do governo para disputar o Senado ou fica pra botar carga no candidato do PT? Se o Wellington sair, o Wilson Martins é candidato de qualquer jeito à reeleição ou vai cumprir o acordo da chamada “base aliada”? O João Vicente vai ser candidato pelo governo ou pela oposição? E ele vai ser candidato mesmo? O Silvio larga a prefeitura para se candidatar ou não? O Elmano, se assumir a prefeitura, passa mesmo a caneta na tucanada? O pastor Macedo vai ser candidato de novo? E o Mão Santa, depois de mudar de partido, se reelege ou não? Será que a candidatura do Marcelo Castro é pra valer ou ele tá só de agalândia? O Hugo e o Freitas vão se eleger juntos, como se elegeram para o Senado em 1994 ou vão perder abraçados para a Câmara Federal?...
Depois de muito sofrer, eu vi, enfim, que não vou ter estas respostas tão cedo. E este negócio de dar pitaco em política é coisa para o Amadeu Campos, o Pires de Sabóia, o Carlos Augusto e o Pedro Tamanco. E, se for pra adivinhar, piorou! Tem que chamar é a Irmã Janaina ou o Bita do Barão. E saravá, irmão! Vamos, então, à coluna de hoje.
Ausência Audaciosa
Tem coisa que o cabra tando perto não tem como se livrar. Cuspida de bêbado, coice de gobila e conversa de doido são algumas delas.
Um dia, estava eu no Aeroporto de Teresina e peitei no então governador Mão Santa. Foi logo apertando minha mão e perguntando como estava meu avô. Fiquei confuso com a pergunta. Afinal, meu avô era um homem da roça e nunca tinha saído de sua casa, num grotão perto do município de São Miguel da Baixa Grande. Mas, de qualquer forma, disse-lhe com pesar: “Governador, meu avôzim já tá no céu faz é tempo”. Ele, sem mexer nem a cara, atirou à queima-roupa: “Pense num homem de bem! Era muuuuuito meu amigo!”.
Diante de tão emocionante confissão, eu só não cai nos olhos chorando porque já conhecia a figura do Mão Santa. Ora, onde diabo é que o Mão Santa lá conhecia o meu avô? Mas, como ele não tava mais vivo pra comprovar a conversa do outro, dita na frente de várias pessoas, ainda hoje a dúvida da amizade deles futuca a bainha do meu juízo: será que os homens foram amigos mesmo?
Zoropa
Eu tô contando esta história só pra enganchar noutra. Na quarta-feira desta semana, o governador Wellington Dias chegou de uma longa viagem à Europa. Mal desapeou do avião, foi logo se agrudando no primeiro microfone que encontrou pela frente pra dizer que nestes 12 dias que passou fora, tinha arrumado um bocado de coisa pra trazer pro Piauí. Vamos a elas: 24 milhões de reais para a construção de cinco centros de convenções (um pra Picos, um pra Floriano, um pra Piripiri, um pra São Raimundo Nonato e mais outro pra Parnaíba); 70 milhões de reais para obras estruturantes no Grande Dirceu e, de lambuja, ainda conseguiu mais 30 milhões para a construção de um Hospital das Clínicas, na cidade de Picos.
O deputado Tererê ou o senador Heráclito Fortes podem até duvidar da conversa do homem. De fato, quando a esmola é grande é do cego desconfiar mesmo! Mas veja bem: não se pode negar que o nosso governador tem um talento nato pra encartar serpentes - basta ver que ele colocou a Assembléia todinha dentro de um saco de estopa.
Já faz tempo que ele prometeu 5 hidrelétricas no Rio Parnaíba. Prometeu fazer dois portos, um molhado no litoral e o outro seco na capital. Prometeu recuperar e revitalizar a linha férrea Teresina-Luís Correia. Prometeu construir a Transcerrados, um estirão de 300 quilômetros. Prometeu fazer do turismo no Piauí uma realidade. Tanto é que criou duas secretarias só pra cuidar da área e prometeu dois aeroportos internacionais, um em Parnaíba e o outro em São Raimundo Nonato.
Estas promessas correram por aqui e ganharam o mundo globalizado. E era maquete, e era foto, era outdoor, era anúncio de Tv, jornal, rádio e internet, era imagens animadas em computação gráfica e o escambau a quatro... Tudo uma belezura! Coisa de encher os olhos!
Se tem gente que vive aqui no Piauí e que jura de pé junto e mão nos peito que todas estas obras já foram feitas, que dirá a negada do outro lado do Atlântico!! Os estrangeiros só podem é pensar que isto aqui é mesmo um paraíso.
Tubí or no tubí
Da minha parte, quero confessar que, neste caso, fiquei com o governador do mesmo jeito de quando o Mão Santa disse que era muuuito amigo do meu falecido avôzinho. Não acreditei nem desacreditei. Como eu não tava lá pra ver, tem hora que eu digo que sim e tem dia todim que eu penso que não. Mas bem que, se era pra trazer tanta obra assim, se o governador trabalhou tanto por lá, por que diabos é que ele não levou a tira-colo, como observador, um jornalista independente e poliglota do quilate do Arimatéia Azevedo, ou um político de oposição expert em turismo feito o Marden Menezes? Na pior das hipóteses, que me levasse na comitiva pra ver este mundilhão de gente querendo investir no Piauí! E, se a viagem fosse só de turismo, com o dinheiro do povo, como alguns acreditam que foi, também não tinha problema terem me levado! Era só encher meu buchim de bacalhau e vinho do bom e me dá uns euros pra eu comprar um presente pra minha petistinha, que eu chegava aqui e, além de não entregar ninguém, ainda aumentava a conversa com as minhas próprias invencionices. Duvida que eu tinha coragem?
damasio.danilo@yahoo.com.br
Luto Folia
O historiador Hobsbawn chamou o século passado de “breve Século XX”. Outra não foi a razão. As mudanças ocorreram e continuam ocorrendo num piscar de olhos. E quando se fala em comportamento, elas não esperam nem as pestanas baterem uma nas outras. Tem sido assim na tecnologia, no vestir, no sexo e no relacionamento com o próximo.
Não faz tempo, a morte de um parente enlutava a família e vizinhos. Se morria o marido ou a mulher, o cônjuge sobrevivente guardava religiosamente um ano de luto fechado. Se morria um filho, eram seis meses vestindo preto. Se morria um neto, eram três. Além de usar roupa preta, o enlutado não podia ir a festas, nem dançar e nem participar de bebedeiras.
A tragédia da Barragem de Algodões, na cidade de Cocal, acabou de completar dois meses. Dados oficiais atestam que uma dezena de pessoas perderam suas vidas. Outras tantas perderam tudo. O que faz a prefeitura? Está preparando para os próximos dias uma grande festa com cinco bandas de forró, inclusive a famosa Aviões. Pra quem não respeita a memória nem a dor dos outros, tá feito o convite, na letra de uma das músicas mais conhecidas da banda: “Vamos simbora, prum bar/Beber, cair, levantar!”
Medicina matuta
Quem quiser mangar de mim, que mangue. Mas não acredito na medicina tradicional. O fato deu tá vivim hoje devo à medicina matuta. Tão aí minha mãe e meu pai que não me deixam mentir sozinho. Quando menino, eu só vivia adoentado. A primeira doença séria que peguei foi a papêra. Como eu não me aquetava, a papêra desceu. O remédio foi entrar num curral urrando, de quatro pé, pra ela voltar pro pescoço.
Depois, fui acometido de sarampo. Tomei de tudo! Mas o que deu jeito foi chá de bosta seca de cachorro. Como funciona: é enrolar a merda num pano, botar pra ferver num papêro de esmalte branco e tomar o chá. É pêi e búfu!
Mãe de leite
Uma doença que quase me tira a vida foi a tosse braba, que chamam por aí de coqueluche. Comecei tossindo aqui e ali, uma febrezinha de vez em quando, um escorrido no nariz... E aí piorei duma vez! A minha respiração assobiava tanto que parecia que eu tinha engolido era uma rabeca. Tossia que doía a caixa dos peito e vomitava mais do que urubu novo. Foi quando minha mãe obrigou meu pai a ir no interior de São Félix e a trazer, a qualquer custo, a minha cura: leite de jumenta preta. Como ele sempre foi bem mandado pela minha mãe, não trouxe só o leite. Um dia estávamos na porta de casa e, quando demos fé, lá vinha ele com uma jumenta preta parida amarrada na carroceria de uma caminhoneta C-10.
Aí, passei a tomar um copo de leite de jumenta de manhã, um ao meio-dia e outro à boquinha da noite. Com capucho e tudo. Tanto fiquei bom da tosse braba como nunca mais em mim doeu nem uma unha. Aquela jumenta foi minha mãe de leite!
E o que é que jumenta tem a ver com minha coluna? Peraí que eu vou bem ali e volto jazim!
Idéia de jerico
O mundo se debate com uma nova pandemia: a gripe suína. Com contagio rápido, ela tem se alastrado com uma velocidade bem maior do que a capacidade dos governos de fornecerem remédios e atendimento. Todos os dias sobe o número de vítimas fatais da doença.
A minha leitora e o meu leitor sabem que este amigo que vos escreve entende de tudo, tudo. E mais um pouco! Mesmo sem ser consultado, e ainda por cima com o risco de pegar a pecha de inxirido, vou dar uma idéia, na base do 0800, para o Assis Carvalho. Se ele tiver a humildade de aceitar, pode inclusive saltar da Secretaria de Saúde do Piauí para o cargo de Ministro da Saúde. E tanto faz ser do governo da companheira Dilma quanto do Serra. O lugar dele vai ser o primeiro a ficar garantido.
Dr. Assis, pela hóstia, o senhor não tem nada a perder. É melhor ser fanhoso do que não ter nem venta. Apresente à comunidade científica internacional o poder medicinal e milagroso do legítimo leite da jumenta preta piauiense. Se ele é bom pra tosse braba, espinhela caída, regra de mulher, reumatismo, afinamento de sangue e, ainda por cima, serve de alimento pra menino injeitado, sem dúvida é o remédio que falta pra curar esta gripe suína.
Tiração de leite
Com o leite da jumenta, vamos matar dois coelhos com uma pedrada só. O vírus da gripe suína vai se acabar. Além disso, os jumentos que o Assis vai ter que manter num cercado vão sair do meio das Br´s, evitando acidentes.
A badalada Emgerpi, que já cuida de combate a dengue, construção de casas, escolas e estradas, compra de passagens aéreas e de campanhas políticas, deve criar um departamento especial só para laçar jumenta, outro só pra enchiqueirar jumenta e o terceiro só pra tirar leite de jumenta. Quem sabe, com tanta teta de jumenta, dêem uma folguinha para as tetas véa surrada da vaca leiteira que é o Governo do Estado!
A mulher macaco e eu
Dizia madre Teresa de Calcutá que, pelo derredor, tudo é berada. Então, acho que se não era o ano de 1981, berava. Lá ia eu subindo a Alameda Parnaíba, no rumo do Parque de Diversões Ipanema, que em todas as férias escolares se instalava ali na Praça do Marquês. Pra não gastar o dinheiro que o papai tinha me dado com chiclete, algodão e pipoca doce, antes de sair de casa fiz uma pequena merenda: um abacate esmagaiado no garfo, misturado com açúcar, e quatro ovos caipiras, com manteiga de garrafa. Assim, feito o massará com farinha de puba.
Antes de chegar no Parque, eu já ia sentindo um cozinhado pelo bucho. O abacate e os ovos não tavam se entendendo muito bem lá por dentro, mais ou menos assim feito o Tererê e o João de Deus. Eu ainda calculei de voltar pra casa, mas tinha passado o dia escutando o alto-falante berrar, de cima de uma Veraneio que andava pela minha rua, que a atração principal daquela noite era uma mulher que virava macaco. Uma tal de “Monga”. Eu não podia deixar de ver um negócio daqueles! E toquei no rumo do nariz.
Ingresso comprado, lá tava eu numa tenda, empinhada de gente, olhando uma mulher de biquini numa jaula. Não sei se foi do medo que eu já tava sentindo mesmo antes de começar o espetáculo, mas a dor de minha barriga passou a apertar mais. Minha testa começou a suar feito tampa de cuscuzeira e eu fui dando na fraqueza. Me apeguei com meu Divino São José, e jurei: “Meu santo, se eu escapar dessa, eu vou ser um menino tão bom, mas tão bom, que vou pro céu com tripa e tudo”.
Jumentim mamador
O certo é que, pelo visto, não deu nem tempo de São José me ouvir. A luz começou a se acender e a se apagar, feito um pirilampo, deixando a gente zonzo de agonia. O locutor se apregou num microfone enrolado numa flanela vermelha e começou o alarido com uma voz cavernosa: “Mooooooonga, eleve seus pensamentos ao alto! Não deixe que isso aconteça com vocêêêê”. E a mulher foi mudando de cor. Foi ficando amarelecida. Dijunto da boca, começaram a sair umas presa de cachorro. Os braços começaram a ficar cabeludos... E quanto mais a mulher se transformava, mais meus olhos ficavam truvo e mais minha barriga doía. Doía tanto que eu comecei a trancar os joelhos e a afastar os pés. Já tava impriauzim um jumentim mamador agarrado nos peito da mãe.
E o cabôco gritava no microfone, como quem tá lutando pra tirar espírito: “Ooooh, meu Deeeeeus, nãããão! Ela vai se transformar de noooovo! Seus pelos começam a crescer, as unhas se transformam em garras...Ela vai se soltar das grades!”. Aí a mulher de biquini virou foi um gorilão parecido o King Kong, sacudindo as grades pra lá e pra cá, querendo sair... “Caaaalma Monga, somos seus amigos!! Nãããão, Monga! Nãão!...” Pááá!! Buffo!! Só ouvi foi a lapada da porta da jaula batendo no chão. E foi ela se soltando de lá e eu me afroxando de cá. Só senti foi o escorrido, assim mornim, vazar pelas minhas cambita. E a catinga danou-se a subir! Baixei a cabeça e aberei no rumo de casa. Envergonhado e fedendo! Mais desconfiado do que cego que tem amante.
A minha leitora e o meu leitor vão me dar uma licencinha bem aqui que eu vou bem ali e volto jazim.
“Casa dos Horrores”
No começo deste mês, a revista britânica “The Economist”, em matéria que repercutiu mundo afora, chamou o Senado brasileiro de “Casa dos Horrores”. Com o subtítulo "O que os parlamentares britânicos podem aprender com os senadores brasileiros", a revista dava conta dos recentes escândalos políticos na Inglaterra em que deputados foram pegos usando dinheiro público para pagar contas particulares e fazia um paralelo com as nossas traquinagens. A reportagem detalha como é a vida no Senado com que os brasileiros já estão acostumados: 10 mil servidores para tomar conta de apenas 81 senadores, plano de saúde gratuito e vitalício para os parlamentares e auxílios-moradia generosos dentre outras vantagens do conhecimento público, sem falar naquelas dos “atos secretos”.
Li a revista e comecei a matutar: será que o nosso Senado é mesmo uma coisa pra inglês ver? O que é que tem demais lá? Com um orçamento anual de quase R$ 3.000.000.000,00 (Três bilhões de reais) pra cuidar dum mói de veím, ou se gasta a fulote ou não ái cristão que dê conta de estruir o dinheiro todo. Não vejo aí nada que possa escandalizar uma pessoa de razoável bom senso assim como eu! Quer saber por quê? Eu vou contar.
Se no Brasil tem mesmo uma “Casa dos Horrores”, não é lá em Brasília que ela tá. É por aqui assim, viu! O Piauí tem apenas 1,6% da população brasileira e só contribui com 0,54% do PIB. Mesmo assim, tem uma Assembléia Legislativa com 30 deputados que emprega mais de 3.000 pessoas. São aproximadamente 100 servidores pra cada parlamentar. Tirando por base a nossa Assembléia, numa regra de três simples, para atender a 100% da população brasileira, que é o caso do Senado, seriam necessários lá 187.500 assessores. E para atender 100% do PIB, que também é o caso, o Senado precisaria ter mais de 355.000 servidores. Como diacho é que uma revista véa internacional dessas, que se diz especializada em economia e finanças, não sabe fazer uma conta besta dessa? Rum! Hum, hum...! Num tô dizendo mesmo...!
Este escândalo do nosso Senado tá mais é pra Mulher “Monga”. Só serve pra assustar menino cagão.
Cumpade Heráclito
No mês de junho passado, eu estava em São Paulo e acessei a internet para ver as novidades do Piauí. A primeira coisa que vi foi que o meu ex-quase-futuro com padre Heráclito Fortes (ele não aceitou ser padrinho da minha filhota – a petistinha) tinha se operado pra reduzir o estômago. A notícia dava conta de que ele ainda estava internado no Hospital Sírio-Libanês.
Não tive dúvida! Mais que depressa, me ajumentei no rumo do Hospital e, no caminho, passei numa banca de jornal. Lá comprei uma revista Boa Forma para presenteá-lo.
Parece que o meu presente ajudou. Esta semana vi o senador na televisão. Até o pescoço dele já tá dando pra ver! Tá ficando bunitim que tá danado!
(Ah! Antes que eu me esqueça: tem duas pestes no mundo que nunca vão se acabar – barata e puxa-saco).
Impriauzim
No aniversário do Armazém Paraíba deste ano, o mote da campanha é: “A gente é igualzinho a você”.Quem não quiser se sentir igual a Seu João, que não se sinta. Mas eu me identifico demais com ele. Quer ver?
Na Micarina de 1997, eu aluguei um terreno na beira do Rio Poty e transformei em estacionamento. Cobrava 5 reais pela guarda de um carro a noite toda. Passei os três dias da festa correndo dum lado pro outro, manobrando carro e ganhando o meu trocado.
No último dia, eu já tava com uma babinha até boa no bolso. Mas, pra minha tristeza, parou no meu “estacionamento” a jornalista Elisabete Sá, que na época escrevia uma coluna no Jornal O Dia. Depois da Micarina, ela botou uma nota no jornal me chamando de “flanelinha”. Confesso: meu dinheiro foi merecido! Trabalhei por ele! Mas fiquei envergonhado de ser chamado de flanelinha. Amuado, nunca mais fui estacionar carro.
Pois agora, na Micarina de 2009, bem ali do lado do Teresina Shopping, o estacionamento que tinha era o do Seu João. Na entrada uma placa do tamanho de não sei nem de quê, ofertava: “É só 1 real”. Não deu pra quem quis!
Pra me vingar do insulto que eu recebi da Elisabeth Sá, eu quero aqui dizer que se eu fui um flanelinha um dia, Seu João, com um estacionamentozão daquele tamanho, é um flanelão. Sou impriauzim ao homem ou não sou?
Eu e a Xuxa
Quando menino, meu sonho era ter um vídeo cassete. E fiz lá em casa tudo enquanto era chantagem no rumo de conseguir um. Deixei de comer, inventei dor, tirei nota ruim, futuquei o nariz com palito de dente pra sair sangue... O diabo a catorze eu fiz pra chamar a atenção do meu pai pra ele me dar aquele aparelho.
Um dia, feito corredor de maratona, venci meu velho no cansaço. Ele foi na JET Vídeo Foto Som, bem ali na esquina da Simplício Mendes com Álvaro Mendes, e comprou um pra mim. Mas foi logo avisando: “Se alugar filme de saliênça, eu quebro este troço na tua cabeça!”. Na hora de receber o presente, fiquei com cara de quem tá comendo hóstia: santo todo! Mas foi ele dando as costas e eu amontando na minha monareta e me ajumentando pra uma locadora que tinha bem ali perto do 25 BC pra alugar o primeiro filme. E adivinhe qual foi o que eu fui atrás? Pois foi exatamente aquele filme da Xuxa que ela fica nua e falta é matar um menino de tanto coisar com ele. E era umas coisas altamente coisativas! Eu esperava o coitado do papai dormir e arrochava no filme lá no meu quarto. E era o menino no filme grudado na Xuxa e eu com os olhos vidrados na televisão, desconfiado, feito cachorro quando acua alma. Quase que eu me acabo!
Máiquel Jéquisson
Ainda na minha meninice, quando eu tinha uns 10 anos, menino podia tudo: trabalhar, tomar cachaça, fumar cigarro e vagabundar pela rua até altas horas. Show no Verdão, eu não perdia um. Mas ir para o Verdão era garapa pra mim, já que era quase na porta da minha casa. Eu gostava mesmo era de atravessar a cidade todinha na minha bike e ir bater na Boate Moby Dicky, lá no Parque Piauí. Em 1983, o povo tava inventando uns passo novo de dança chamada de “breique”. Ciscavam pra trás feito galinha ajeitando ninho pra botar ovo. A música que arrastava o povo todim pro salão era uma de um tal de Máiquel Jéquisson que eu ouvia assim: “ Diasti píre, diasti píre, pom rom, pom pom, píre, píre, píre...” Botei logo no juízo que tinha de comprar um LP deste cabôco.
Parei de merendar na escola uns dias e, com o economizado, fui bater na Loja Honolulu, pra comprar o disco. Cheguei lá todo me amostrando. Fui no balcão e perguntei a uma moça se ela tinha o LP da música do “Píre”, do cantor Máiquel Jéquisson. Acho que ela não botou fé que eu andasse com dinheiro no bolso. Só sei foi que ela, com cara de desdém, me apontou pra uma prateleira e disse: “È aquele bem dali”. E virou a cara pro outro lado. Fui chegando mais pra perto do disco e quase morro de tristeza. A moça ou não tinha me entendido ou não fez questão de me atender. Tanto que me mostrou foi o LP errado. O que tava lá era de um morenim do cabelo encriquiado, todo faceiro, vestido num terno branco, chamado de Michael Jackson. Fui pra casa com raiva da Loja Honolulu. Demorei foi tempo pra entender que quem tava errado era eu. Aquele era, sim, o cantor que eu procurava. O que me faltava era o inglês!
Caixa de papelão
Mas, na verdade, não era só a compreensão do inglês que me faltava. A minha vida toda sempre sofri com a lentidão das idéias. Sou o que o povo de São Miguel da Baixa Grande costuma chamar de ariado. A minha ficha sempre demora pra cair. Isso quando ela cai!
Pra minha leitora e meu leitor ter uma idéia deste meu retardo, vou contar outra: em 2002, na véspera da eleição para governador, os petistas ocuparam todos os microfones para denunciar um vai e vem de caixas cheias de dinheiro público para gastar na campanha do finado PFL.
Já no governo, não demorou muito a pequena oposição ao governo do PT dava conta, na Assembléia, de desvio de dinheiro público. Dinheiro esse que andava passeando também dentro dumas caixas.
Agora, com este escândalo da Emgerpi, lá vem um ex-assessor denunciar que dinheiro público foi transportado para financiar campanhas do PT e de aliados em municípios do interior. Além de ser levado para figurões do partido. Tudo dentro de quê? Mais uma vez, de caixas e mais caixas.
Apois bem! Sóóóóóó agoooooora foi que eu vim entendeeeeeer o porquê do interesse da Suzano Celulose, gigante do papel e da cartonagem, de se instalar aqui no Piauí pra fazer caixa de papelão. É que do jeito que a coisa vem e vai, o que não vai faltar é encomenda!
A dedada
Contam que certa vez um senhor de aproximados 45 anos procurou um urologista famoso no Rio de Janeiro para fazer o exame de próstata. E bota luva... e engraxa com vaselina... e dedo vai e dedo vem... a próstata tava no tamanho e consistência normais. O médico, finalizando a consulta, perguntou:
- E como é sua vida sexual?
- Olha doutor, quando eu tô com muita sorte eu consigo transar uma ou duas vezes no mês.
- Mas moço, eu sou da sua idade, e faço sexo quase todo dia. Por que tanta dificuldade?
- Ah doutor, o senhor é um médico rico e famoso e pode pegar quem quiser na hora que bem quiser. Agora pra mim é difícil, já que eu sou o bispo de Caruaru.
Auto-estima
E a vida é assim. Tem coisa que calça num e não calça noutro. Eu, por exemplo, tenho uma história de amor com Teresina, embora critique ela o tempo todo. Sou daqui e acho que tenho o direito. E a justiça, pra ser boa, começa é de casa mesmo! Mas não acho certo que um cidadão de fora, que se sirva da nossa cidade pra sobreviver, fale mal dela. Nesta semana, fiquei muito feliz quando li num blog de um cearense cabeça chata que mora em Teresina, que ele pagava o IPTU da casa dele com a maior satisfação do mundo. Diz ele que o IPTU não é tão barato, mas os buracos da rua dele estão sempre bem limpinhos. E ter buraco nas ruas é bom porque, andando devagar, o caba faz economia de multa do fotossensor.
Contou também que a luz do poste em frente à casa dele tá apagada há mais de ano. Mas que era muito bom porque evitava ajuntamento de mariposa e potó. Achei sensato e elegante da parte dele.
Dia desses, o amigo e empresário Fernando (ex Afal e atual Artefaço), paraibano de nascimento, me disse que a hora mais feliz da vida dele era quando estava num engarrafamento da Avenida Frei Serafim. Segundo ele, nestas horas, com carro pra todo lado, é que sente que está morando num lugar desenvolvido. E que agora está cada vez melhor porque em muitos cruzamentos da cidade aparecem palhaços com pernas de pau e menino fazendo malabarismo com laranja e cuspindo fogo pra enterter os motoristas que esperam a abertura dos semáforos.
É deste otimismo que nós precisamos.
De novo
O Piauí passou batido, mais uma vez, na distribuição de mega investimentos federais. O Lula anunciou a instalação de mais três refinarias no Nordeste: uma no Ceará, outra no Maranhão e a terceira no Rio Grande do Norte. Eu nem fiquei surpreso! O deputado Tererê, que eu já adotei como meu novo mentor para assuntos políticos (antes era o Tomaz Teixeira), já tinha me convencido de que a única obra federal que o Piauí vai ganhar nestes 8 anos de governo do PT é só o programa Bolsa Família.
Mas eu tenho uma idéia pra o Piauí pegar uma babinha neste restim de governo. Como o presidente Lula só gosta de duas coisas – cachaça e futebol – vamos ajeitar o homem. Basta mandar, por terra, no rumo de Brasília, um mercedinha ¾ impinhada de cachaça Mangueira ou de Siri e atrepar num avião, às custas destas passagens aéreas que a Emgerpi distribui à fulote, um selecionado de futebol, vestindo a camisa do time do governador, o Sport Club KLB, mais conhecido como “Ki Lapa de Bucho”. Vamos enfrentar os peladeiros do presidente.
Pra agradar o Lula, o KLB tem que apanhar mais do que mala velha pra largar a poeira ou galinha pra tirar o chôco. A escalação do time deve ser especial e independente de partidos. É para a grandeza do Piauí! Temos é que ajeitar o homem de todo jeito pra ver se ele olha pra gente.
Eis a sugestão para formação do escrete: No ataque, os fumentes Rui Berger, Abelardo Carvalho e Ubiraci Carvalho. Na ponta esquerda, o Freitas Neto. Na ponta direita, o Luciano Nunes Pai. No meio de campo, o Osmar Junior, que é entrevado do espinhaço, o Paes Landim, que é rendido, e o valente Elias Ximenes do Prado. Na defesa, os roliços Carlos Augusto de Araújo Lima e Cícero Magalhães. No gol o próprio governador, auxiliado pelo Jesus do Detran e pelo Assis Carvalho pra pegar bola.
Só não podem é levar os zuadentos Robert Rios e João Silva Neto, pra não corrermos o risco deles chamarem o juiz de ladrão. Ahh, e nem o Mão Santa, porque se não ele baba na bola.
Trouxa na cabeça
Falando em Mão Santa, ele anda pra cima e pra baixo com a trouxa na cabeça, atrás de um novo partido político pra concorrer à reeleição. Ele se queixa que o PMDB lhe deu as costas. Já o PMDB diz que o Mão Santa só pensa nele mesmo. Não sei quem tem razão nessa novela, mas fico pensando cá com meus botões: se o PMDB jogou os pés no Mão Santa, que deu tudo para os peemedebistas, quando estava no poder, o que não fará com o coitado do Wellington, quando ele perder a caneta? Eu já tô sentindo pena dele é de daqui...
Ciumeira do santo
Vi em algum lugar e passo adiante, como sugestão ao prefeito Silvio Mendes: o problema dos freqüentes alagamentos da Curva São Paulo é puro despeito de santo.
Então, a sugestão é mudar o nome do balneário para Curva São Pedro.
A mola do mundo
Dizem alguns que a mola do mundo é o dinheiro. Ou eu não entendo de dinheiro ou quem diz isso não entende de mulher. A mulher, desde o tempo de Eva, passando por Cleópatra, Helena, Dalila, Maria, Isabel, Joana D´Arc até chegar na Debora Secco, Ivete Sangalo e descambando para a Stefany, sempre conduziu as rédeas do destino das coisas e das criaturas.
Por conta desta força tamanha, a mulher foi e é inspiração de poetas, pintores, cantores e outros artistas. Eles procuram traduzir em sua obra os sentimentos deles e dos outros homens pela mulher. E não é das tarefas mais fáceis definir, entender e tocar a alma de um ser de aparente fragilidade e de uma fortaleza insuperável em suas astúcias, ações e emoções.
Conquistar o coração de uma mulher é um a arte. E já foi trabalho mais maneiro! Diz o Abelardo Carvalho que, no seu tempo de jovem na Piracuruca, ele andava com uma arma para arrebatar o coração das moçoilas casadoiras. Era uma radiola em formato de maleta que funcionava com oito pilhas das grandes. Quando abria a maletinha, a tampa virava a caixa de som e a parte de baixo era o lugar de tocar o LP ou o compacto. Aí era só se prostar na janela do broto e abotoar uma página sonora do Roberto Carlos, sofejando a meio tom: “Eu tenho tanto pra te falar/ mas com palavras não sei dizer/ como é grande/ o meu amor/ por você..”. Era peibúfu!
Fogo e paixão
Se no tempo do Abelardo era broto, no meu já era gata. A minha tática era infalível. Primeiro, eu tinha que desgravar as fita-cassete da mamãe só com música do Padre Zezinho com lenga-lenga de igreja e regravar com a trilha sonora para embalar os meus planos de conquista. Três músicas do cancioneiro popular não podiam faltar: “Fogo e Paixão”, do Wando (Você é luz/ é raio estrela e luar/manhã de sol/ meu iá iá, meu iô iô/ voce é sim/ e nunca meu nao/quando tão louca/ me beija na boca e me me ama no chao...); “Rebôco da Parede da Paixão”, do Carlos André (Ciúme, ciúme, ciúme louco/ rebôco da parede da paixão); e o “Toca-fita” do Bartô Galeno (O meu lado esta vazio/ vocêêê tanta falta me faz/ e cada dia que passa/ eu te amo, muito mais...).
Dando continuidade, roubava o fusquinha da mamãe para dar uns “currupio” e ia bater na porta da casa da gata. Pra me amostrar, chamava ela pra conversar no carro mesmo (naquele tempo era seguro) e deixava o toca-fita Roadstar, o da cara prata, no volume mínimo, como quem tá fazendo uma trilha sonora de uma novela da Janete Clé. Cabelo lavado com Welapon, banhado com sabonete senador, um pingo de Men´s Club atrás de cada orelha, minâncora no suvaco, calça US Top amarrada com um cinto, com uma vistosa letra “D”, camisa Pool comprada na Ocapana e um par de conga all color nos pés, eu me sentia impriauzim o Afonso do Conjunto Dominó ou o Rick dos Menudos... . Aí não dava outra... E dentro de um fusca apertado... E com aquelas músicas... Era beijo que dava câibra nos beiço.
A conquista hoje
Apois bem! Deste negócio aí de sedução eu não tô mais entendendo nada. Já saí do ramo! Mas vejo que ou os homens não têm o que dizer ou as mulheres não andam a fim de escutar. Pra conseguir uma paquera, hoje, os jovens estão enchendo o bagageiro do carro de potentes caixas de som e se plantam nas lojas de conveniência dos postos de gasolina pra ver quem faz mais barulho.
E as letras das músicas não precisam mais colaborar. Ao invés de tratar as mulheres com doçura, como no tempo do Abelardo e no meu tempo, xingam elas de raparigas e de tudo enquanto é nome feio. Esta semana estava passando ali no Posto 6, e um mauricinho cercado de patricinhas de boa família arrochava a toda altura uma música do “Aviôes do Forró”:“ É rapariga, é cabaré, é bagaceira, e muita mulher...”
Eis a nova forma de conquista! Ó tempora, Ó mores!
A bóia do Pires
Dizem que o nome verdadeiro do jornalista Pires de Sabóia é Francisco Antônio do Nascimento. A alcunha pelo qual é conhecido hoje deve-se ao fato de ter saído do Ceará puxando a cachorrinha na seca do 70, com um pires na mão. De lá até aqui, todo mundo que ele via comendo alguma coisa, desembainhava o pires dum saquim e arrochava pedindo: “Dona Maria me dê, por caridade, um pires dessa bóia. Ô seu Zé, pelo amor do padim Ciço, me dê um pires dessa bóia! Aí ficou conhecido como Pires de Sabóia. Mas esta é outra história.
O certo é que o Chico Antônio, ou melhor, o Pires de Sabóia, não sei baseado em quê, virou um dos melhores analistas políticos do jornalismo piauiense. Quem quiser que pense doutro jeito!
Diz o Pires de Sabóia que pro Piauí deixar de ser lascado nem precisava muito. Bastava que chegassem por aqui os milhões de reais que saem na imprensa, todo dia. Esses que os políticos dizem que estão trazendo de Brasília. Se isso acontecesse, o nosso governador iria mudar a forma de abordar as pessoas. Ao invés do usual “e aí hombre, como vai?”, ele iria arrasar com um: “Nesta Terra Querida, liseira só de cabelo. Crise só de garganta. E aperto, só de mão”. Era mermim que eu tá vendo!
Dinheiro a balde
E eu nunca entendi mesmo que diabo de tanto dinheiro era esse que, se saía de lá, nunca chegava por aqui. E se alguma vez chegou, comeram ele com farinha de puba, porque a obra grande deste governo, que eu conheço, foi ter colocado a Assembléia todinha num saco de pêta, reduzindo a oposição a extrato de bufa de anum.
Mas, nesta semana, enfim, me veio o entendimento. Na coluna do Zózimo, que neste dia contou com a colaboração do jornalista Raimundo Cazé, foi explicado tudo tim-tim por tim-tim. Quando o governo pensa no dinheiro, já abre a goela no mundo. Quando manda o projeto de autorização de empréstimo pra Assembléia, se esgoela de novo. Aí o projeto entra em discussão. E tome goela! Quando o projeto é aprovado, mais goela! Pra quem tá do lado de fora, se a reza começou com 1 milhão, depois de tanta mídia, já tá dando fé de que se trata de 10 milhões ou mais. Aí vai pra Brasília. Cadê vez que o governador diz que vai tratar de liberação da verba, tome a sair na imprensa. E como o governador tá em Brasília toda semana, o que era 10 milhões vira 100 milhões bem ligerim. Como são muitos os pedidos de empréstimos, e maior ainda o bafafá, já passamos da casa dos bilhões faz é tempo.
A explicação nem é difícil. Difícil é entender!
Mão Santa lá, Tererê cá!
A Assembléia Legislativa do estado do Piauí já foi mais interessante. Até 2002, lá tinha governo e tinha oposição. Cada um mais valente do que o outro. E era tão acirrada a disputa que às vezes o governo tinha, dos 30 deputados, 16 parlamentares e a oposição, 14. Ou vice-versa. Era só um se bandear pra o outro lado que o placar mudava. O pau comia, o plenário pegava fogo, a fumaça subia e a gente sempre se divertia.
Aí veio o governador Wellington Dias, que é ver um encantador de serpente, foi botando deputado no saco do governo, um por um, até chegar a uma quase unanimidade. Um ou outro que escapou nem foi por astúcia ou resistência. Foi porque o governador não quis mesmo! Já tava enfastiado. Lá, hoje, tão quase tudo caladim feito pipira com o bico atolado em caju.
Só uns quatro gatim pingado fazem oposição. O líder desta minoria é o zuadento Tererê, que parece que bebeu foi água de chocalho. Todo dia tá na tribuna criticando o governo. Parnaibano, quer ser o cover do Mão Santa, labutando pra encostar também nos 1.000 discursos. O resto, quando não diz amém, grita aleluia!
A Pescaria
Nesta semana, os deputados perderam a chance de tornar a Assembléia mais atrativa. Foi nessa cheia do Poty, que a água atravessou as duas pistas da Avenida Marechal Castelo Branco e lambeu o prédio da Assembléia. O presidente Themistim deveria ter dado a cada colega uma sunga, uma vara de pescar e um saquim de dindim cheio de moela de galinha e miolo de pão pra servir de isca. Aí era só o deputado Fábio Novo, presidente do partido do governador, sair na frente e o resto dos deputados com a vara atrás no rumo da calçada pra pescar piaba, branquinha e mandi. Além de economizarem passagem, ar-condicionado e cafezim, iam economizar também no uso de ternos.
Tenho certeza que esta idéia passou pela cabeça de contonete do Themistim. Acho que ele não botou em prática foi com medo de umas coisas que metem medo mesmo em qualquer cristão, por mais corajoso que ele seja. Já pensou se o Robert Rios aparecesse lá e ficasse budejando? Ia espantar os peixes. Se o Assis Carvalho fosse, no final da pescaria ia querer ficar com os peixes tudim só pra ele. Mas o pior ainda poderia acontecer. Se o Fernando Monteiro, que é desabonitado, aparecesse por lá vestido num biquim de banho, mostrando as pernas de alicate, a bunda de rã e o bucho quebrado ia todo mundo sair correndo, pensando que era o cabeça-de-cuia.
A gripe do porco
Desde a semana passada, tenho acompanhado na TV uma história de gripe de porco, que começou no México e vem se espalhando pelo mundo mais ligeiro do que coice de barrão. Nesta semana, vi que no Brasil já tem alguns casos suspeitos. Pensei: agora é que a porca vai torcer o rabo. E vou explicar por que.
Há 20 anos, o estado do Piauí é considerado como “zona de risco desconhecido” por conta da febre da vaca, que também é conhecida como febre aftosa. Foi governo, veio governo, a situação não foi resolvida e já tô vendo é a hora da vaca ir pro brejo. Só conversa pra boi dormir!
Aí eu calculo: se não conseguiram acabar com a febre da vaca, vão conseguir acabar com a gripe do porco, um bicho que vive dentro de lama e com a venta melada o tempo todim?
Porco não é gente! Se, segundo o Garrincha, jumento não dispensa nem a mãe, porco é pior e é muito! Não dispensa nem os filhos. É só lembrar que bem aí em Timon a porca comeu vivim o Chico Leitoa. Esperou mais uma coisinha, lambeu os beiço, deu meia volta e papou também o filho dele, o Luciano Leitoa.
Embora não pareça, a criação de porco no Piauí é maior do que a de vaca. Basta ver a quantidade de serviço porco e que tem por aí. É asfalto sonrisal, é obra parada, é gente morrendo por falta de atendimento médico... Tudo coisa de gente que parece que tem espírito de porco!
Onde está o dinheiro?
Esta semana recebemos a visita do nosso presidente Lula. Pela oitava vez! Aforantemente a vez que ele veio pro funeral da saudosa Trindade, todas as visitas dele foram sempre festivas. E eu gostei de todas. Menos dessa.
O Piauí inteiro esperava que ele viesse de lá com o Aerolula impinhado de real pra socorrer os flagelados. O homem veio foi com uma conversa mole de cerca Lourenço cheio de sei que lá, sei que lá, sei que lá... Do meio pra uma banda do seu discurso, disse bem na venta dum mói de político, mais precisamente no meio da partinha do cabelo do governador, que não podia dar dinheiro para nós porque no Piauí falta projeto. Aí foi lasca!
Na hora lá, os políticos ficaram só com a cara mexendo. Não teve um com coragem de dizer nada. Mas, como diz o filósofo Mão Santa, “a ausência é atrevida!”. E, como o homem já foi embora mesmo, eu vou contestar lulice, ou melhor, esta tolice que ele disse.
O que mais tem no Piauí é projeto. Quer ver? O projeto do Wellington é ser senador. O projeto do João Vicente, do Silvio Mendes e o do Wilson Martins é ser governador. O projeto do Marcelo Castro também, tirando a oportunidade do poeta Neto Sambaíba. Dizem que o projeto do Hugo Napoleão e do Firmino é serem deputados federais. O projeto do Themistim é ser presidente da Assembléia mais uma vez. E o projeto dos demais políticos é permanecerem onde estão ou botar uma coisinha de sal melhor na boca, mudando pra um cargo maior.
O Lula não nos deu dinheiro não foi por falta de projeto. Foi porque não quis mesmo. Desculpa de amarelo é comer barro. Dinheiro hoje anda de todo jeito. Até na cueca!
Por hoje é só! Xêro no ôi( by Stefany).
Começar de novo
Não sei se a minha ausência neste espaço foi notada. Mas já não escrevo há três semanas. E a minha decisão de parar foi por causa de um email que recebi de uma leitora me criticando que eu só sei escrever sobre política. Pensei que ela podia estar certa. E parei. Então comecei a matutar sobre outros assuntos para esta coluna. Pensei no amor, no futebol e na arte... E nada! Do amor eu só entendo do que eu sinto pela minha patroa, a Adalgisinha lá de casa. De futebol, eu faço é mangar. Como é que um besta se planta na frente de uma TV pra assistir 22 machos peitando unsnoszozôtro, às vezes se agarrando, tudo correndo atrás de uma inocente bola? Pra não dizer que sou ignorante total no assunto, conheço o Pelé, porque namorou com a Xuxa, e o Ronaldinho, que, de tanto merendar mulher bonita, levou um mói de veado pra um motel e parece que andou engatando foi a ré. No campo artístico, eu gostava era das músicas do Frank Aguiar. Mas, depois que me disseram que cantar “lavô tá nova, lavô tá nova...”, acunhando aqui e acolá um grito de “aauuuu”, não é arte, deu um nó no meu pensamento e vi que também este não é o meu ramo.
E, cá pra nós, é impossível um piauiense não pensar 24 horas em política. Os jornais, rádios e TVs não falam de outra coisa. E é acabando uma eleição e começando a discussão da próxima. Então, que me perdõe a minha leitora, mas é a política que mexe comigo. Então, como canta o Wando, “lá vou eu de novo”.
Expresso 2222
Semana passada, a vereadora Rosário Bezerra (gente da melhor qualidade, é bom que se diga) concedeu um título de cidadão teresinense para o ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil. Pra justificar a honraria, alegou que o homenageado instalara (este “instalara” eu copiei do dr. Celso Barros) mais de 100 pontos de cultura no Piauí. Eu sou curioso ao ponto de ficar horas e horas tentando descobrir o que tem dentro do nada, o que tem no buraco da agulha e como foi a trágica morte da finada Maria Preá. Agora, tô atrás destes tais “pontos de cultura”. Quem quiser e puder, me ajude, que eu dô de presente um DVD pirata da Steffanny tirado diretamente do youtube.
Vingança maligrina
Ah! Com esse escândalo das passagens aéreas no Congresso, alguém, por pura maldade, pode ter pensando que eu sumi por uns dias porque estivesse viajando por conta de alguma delas. Sim, porque deram pra todo mundo, até para time de futebol. Mas, infelizmente, esqueceram de mim. Pra mim, não mandaram nem um vale-transporte.
E pense que esta farra de passagens aéreas me deixou muito foi desatuleimado! Não é porque eu acreditasse que político fosse santo, não. Não é nada disso! É por que eu julgava que pelo menos o Cirim fosse meu amigo de fé, meu irmão camarada. Como é que ele tinha este horror de bilhetes aéreos e não me botou na cota dele nessas viagens 0800 que ele fez à fulote para os estrangeiro? Se ele tivesse me levado, mesmo que fosse pra carregar as malas Louis Vuiton dele e da Iraceminha, eu iria desfrutar dos meus 15 minutos de fama, já que as viagens eram todas devidamente registradas e repercutidas nas colunas sociais aqui da província.
E é porque eu fiz campanha adoidado pra ele ser presidente da Câmara dos Deputados. Até exagerei, quando disse, por exemplo, que ele era mais bonito do que o Hugo Napoleão no tempo de novo. Já se viu uma babada de ovo maior do que essa?? Mentira da peste!!! Te enxerga, Cirim!!! Aonde diabo é que tu, com esses teus pés embolados, caminhando empenado feito um papagai com os pé melado de mingau, é mais bonito do que o Hugo quando era novo?? Veja só a que ponto eu cheguei pra no final não ganhar nada!! Bem empregado pra minha cara!
Pregado na cruz
E, ainda falando em passagem aérea, Deus escreve certo por linhas tortas. Deu na “Folha de São Paulo” que o deputado federal Nazareno Fonteles teria usado a cota dele para também ir para o exterior. Imediatamente, ele veio a público e disse que tinha sido enganado por uma assessora. E eu cá comigo: se num gabinete de 5 por 5 metros, 3 ou 4 assessores dentro, pegaram o Nazareno pra Cristo e enganaram ele, calcule se ele tivesse sido eleito pra ser prefeito de Teresina, com milhares de assessores espalhados por tudo enquanto é canto? Iam tomar a prefeitura de assalto e ele não ia dá nem fé! Benzó Deus!
O governador te certo!
Pra quem gosta de uma boa informação nas primeiras horas do dia, eu recomendo sintonizar a Teresina FM (91.9) e ouvir, de segunda a sexta, às 7 da matina, um rádiojornal vibrante apresentado por Toni Rodrigues e Mazé Rocha, com comentários de Pires de Sabóia e Carlos Augusto de Araújo Lima. O programa é muito bom, embora eu muitas vezes discorde dos arrazoados tanto dos apresentadores como dos comentaristas.
Pra você ver, quarta-feira desta semana o Toni Rodrigues perguntava ao Pires de Sabóia o que diacho é que o governador Wellington Dias tanto faz em Brasília. Toda semana passa pelo menos 3 dias lá. O Pires de Sabóia disse que era procurando dinheiro. O Toni perguntou se o gato tava era comendo este dinheiro que nunca aparece por aqui.
Aí completou dizendo que o governador, passando a semana fora, parece os prefeitos do interior, que passam a semana em Teresina. Tanto tá errado o Toni Rodrigues como tá errado o Pires de Sabóia. Não é nada disso!
O governador vai pra Brasília é pra se proteger do Wilson Martins, que quer que ele levante da cadeira antes do tempo, e do PT, que, pra se garantir na eleição, quer que ele continue sentado lá o resto da vida. É também pra se esconder dos sindicalistas abusados que querem aumento a toda hora, dos cobradores de dinheiro e de promessas, dos alagados do Fernando Monteiro, da língua do Robert Rios e principalmente dos discursos do Tererê.
E tenho dito!
São Tomé e eu
O apóstolo Tomé entrou para a história como “Tomé, o Incrédulo”. Devido à sua mania de desconfiar de tudo, ficou conhecido também como “Apóstolo Bule”, por ser um home de “poucafé”. Basta ver que, para acreditar na ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi preciso Ele reaparecer e deixar que Tomé tocasse nas Suas chagas.
Nesta onda de precisar tocar nas coisas pra poder acreditar foi que o cronista Luís Fernando Veríssimo disse, há alguns anos, que seria incapaz de acreditar na existência da então musa Luisa Brunet. E explicou, na maior cara de pau: “Já que eu nunca peguei nela, não acredito que ela exista”.
Eu, às vezes, sou pior do que São Tomé e o mestre Luís Fernando Veríssimo juntos. Nem se me deixarem pegar, apalpar e cheirar, em certas coisas e pessoas eu não acredito nem morto.
Fim de governo
Vou dar um exemplo: todo mundo dizia que o governo do PT tinha acabado nas eleições municipais, com o surgimento das máquinas de fazer prefeitos do Wilson Martins e do João Vicente. Eu não acreditei.
Depois, quando o governador afirmou que iria concorrer como sem falta ao Senado, tendo que abandonar o governo em abril de 2010, os entendidos de política voltaram a dizer que, como político vive de esperança, e na campanha eleitoral o Wilsão já estaria sentado na principal cadeira do Karnak, desde aquele momento o vice-governador já assumiria de fato o comando do governo. Novamente eu não acreditei no fim do governo. Achei exagerada a previsão.
Então, veio o diabo da crise econômica mundial e o despencamento da arrecadação do Estado. Os incrédulos diziam em alto e bom som que dali em diante o governo acabaria, já que a única obra que tem pra mostrar é não ter mais atrasado o salário do funcionalismo. Não acreditei. Pensei: com jeito, e extinguindo uns carguinhos comissionados aqui e uns contratinhos de terceirização ali, o governo petista vai passar por mais essa.
Mas, nesta semana, vi na página 4 do Diário do Povo um robusto artigo do dr. Alberto Silva criticando a falta de iniciativa do governo do PT em executar obras estruturantes. Aí eu me assustei. Peraí! O Dr. Alberto criticando o governo? Li de novo. Tornei a ler. E era isso mesmo!
Desde que governo é governo eu nunca vi o Dr. Alberto ele contra nenhum deles. Nem do vovô PSD, nem da vovó UDN, nem da finada Arena... Muito menos do PT. Se agora resolveu criticar o governo do Wellington, pra mim foi mais que suficiente. O governo acabou mesmo.
Agora eu acredito!
Caça ao voto
O Mão Santa, de quem sou fã de carteirinha e telespectador assíduo, costuma citar, como personalidades que mais entenderam de política na história da humanidade, dois cabôco véi que eu não sei quem são: um inglês chamado “Tchátcha” e um americano chamado “Abrolíncu”.
Pra lá pro rumo dos estrangeiro estes dois aí podem até entender de política. Mas, minhas leitoras e meus leitores sabem que aqui a Chapada do Corisco, eu só tiro o chapéu para o Dr. Alberto, pro Tomaz Teixeira, pro Pedro Tamanco e pro Luis Brandão. Aforantemente estes daí, o papaizim aqui não abre nem pro trem do pré-metrô vindo embalado das banda do Itararé.
Então, como eu comecei a acreditar que o governo acabou mesmo, passei a olhar ele mais de perto, com olhos de analista político que sou. E ái, como diz o Mago de Aço! Sabem o que eu vi? Vou contar!
O governador exige dos auxiliares que não antecipem a campanha de 2010. No entanto, ele mesmo não se desatrepa do palanque.
E se o governador não governa, só faz campanha, o que dizer do vice? Quando este espia para o prédio do Karnak, tem tanta vontade de assumir que fica babando pelos canto da boca feito cachorro com calazar ou que nem o Mão Santa fazendo discurso. Se fosse uma novela, a cena teria como trilha sonora uma música do Roberto Carlos: “Eu conto os dias conto as horas pra te ver, eu não consigo te esquecer...”
Os deputados estaduais e federais não pensam mais em legislar. Só se empenham numa coisa: reeleição.
No Senado, dois dos nossos senadores também só pensam naquilo: a reeleição. O terceiro, o João Vicente, que não precisa pensar em reeleição, ocupa seu tempo com eleição. No caso, a dele, para governador
Por último, e depois que apareceu bem cotado nas pesquisas de opinião, o dr. Silvio Mendes mudou até o penteado.
Vou bem ali e volto já!
Feijão queimado
Antes da televisão chegar no município de São Miguel da Baixa Grande, quem fazia sucesso por lá era uma tia minha. Quando meu tio ia pra roça, ela botava o feijão no fogo, deixava o fogareiro pra trás e saía de porta em porta, pela vizinhança, falando mal de um e de outro. (Cá pra nós, eu suspeito que herdei este meu lado fofoqueiro foi dela).
Apois bem. Bastava ela sair por um lado pra fofocar, minhas primas, que ficavam encarregadas de olhar a panela, saíam por outro lado, pra se empregar no mesmo ofício: falar da vida alheia.
Quando o pobre do meu tio chegava da roça, cansado e morto de fome, o feijão tava sempre queimado.
Me lembrei desta minha tia a propósito desta fofocagem toda que tá estabelecida em relação às eleições do próximo ano. O governador sai por um lado fazendo campanha, o vice pra outro e os auxiliares ganham o oco do mundo na mesma marcha.
Já que ninguém tá olhando a panela de feijão do governo, não foi nenhuma surpresa pra mim quando paparam mais de 6 milhões de reais das contas do estado pra pagar uma obra que, se existiu, ninguém sabe, ninguém viu, como diz a “Conceição” do Cauby.
É! É minha tia fazendo escola! Né não?
Atentai bem!
O Mão Santa, da primeira vez que chegou no Congresso como senador eleito, cuidou logo de procurar saber onde tava o microfone. Depois que achou, dele não se apartou mais. Todo dia tá lá na tribuna, metendo o cacete, ora no Lula, ora no Wellington. Me lembro, como se fosse hoje, o primeiro discurso dele: “Este Senado véi, hein, hein, Papaléo, atentai bem, é melhor do que o céu. Porque pra ir pro céu, hein, hein Pedro Simão, o caba tem que morrer. E prá cá o caba vem é vivim. Tá? Entendeu?”
Por estes dias, eu tenho acompanhado o noticiário nacional e visto que aquela Casa do Povo tá mais para casa-de-mãe-joana. São mais de 180 diretorias com salários de 18 mil reais cada, nepotismo cruzado pra tudo quanto é lado e, pra manter a atividade parlamentar de apenas 81 senadores, tem um orçamento anual de quase 3 bilhões de reais.. Não é nada, não é nada, isso é mais de duas vezes o orçamento previsto para o ano de 2009 para toda a Teresina, com seus quase 1 milhão de moradores e agregados. Se aquilo lá for mesmo o céu, como diabo é que será o inferno? Cruz credo!
No lugar errado
Ainda falando em Senado, me lembrei que outro dia, depois da eleição da Mesa Diretora, com os três senadores piauienses ocupando a primeira, segunda e terceira secretarias, vi um comentário do Freitas Neto na coluna do Zózimo: “Se ser secretário da mesa fosse boa coisa, não tinham dado tudo para os piauienses!”. Do alto da minha autoridade de consultor máster em gestão pública, juiz de briga de canário, árbitro de rinha de galo e sacaniobrás futebol clube, vou me permitir discordar do eminente, ínclito e conspícuo Freitas Neto.
Ser secretário da mesa do Senado é uma coisa muito é da boa. O problema é que botaram as pessoas certas nos lugares errados. Deram para o Heráclito a primeira secretaria, que cuida da folha de salários. Para o João Vicente, deram a segunda secretaria, que cuida das passagens aéreas. Já para o Mão Santa, deram a gestão dos imóveis funcionais do Senado. Deste jeito aí, é pra não dar certo mesmo!
O jeito certo
O Heráclito, que só desce dum avião pra se atrepar em outro, era quem deveria estar cuidando das passagens aéreas. O João Vicente, que é dono de mei mundo de imóveis no Piauí, é que deveria labutar com as moradias funcionais. Já o Mão Santa... Ahhhh, o Mão Santa! Era ele quem deveria estar administrando a folha de pessoal do Senado. Nesta prateleira, não tem craque melhor do que ele!
No governo do Piauí, ele inventou uma tal de folha secreta, com o Magno Pires, que, até hoje, nem os petistas, que eram bons de escrafunchar a vida alheia, nem o Ministério0 Público e nem a Polícia Federal conseguiram achar. Tô certo ou tô errado?
Faixa de Gaza
Nesta semana, deputados estaduais cearenses vieram pra Teresina pra, junto com os deputados daqui, tentar pôr fim a uma indefinição dos limites territoriais entre os dois estados. Este é um problema que já se arrasta desde o tempo em que o cão era menino. Não sei que solução vai vingar, mas sei que outra vez vão fazer as coisas erradas porque não têm a humildade de me consultar.
Minhas leitoras e meus leitores sabem que, ao contrário do finado Sócrates, o filósofo, que dizia que “só sei que nada sei”, eu, modestamente, digo: “de tudo eu sei é tudo!” Eu vou bem ali e volto já, pra dizer qual seria a melhor solução para esta crise secular.
A troca
Hoje, o Ceará é o principal destino turístico do país. Já tem o Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, mas o governo de lá já está ampliando e modernizando o Aeroporto de Aracati. “Será uma nova porta de entrada para vôos internacionais e garantirá acesso imediato a todas as praias do Pólo Canoa Quebrada”, garante o governador Cid Gomes.
É para o Ceará também que esta indo uma siderúrgica novinha em folha. É lá também que já existem o porto marítimo do Mucuripe e o novíssimo, mas já em fase de ampliação, porto do Pecém. Indústria nem se fala! É uma opegada na outra.
A solução
Pois bem! A minha sugestão é que, para resolver o litígio de terras, o Piauí fique mesmo com o que já tem e dê ao Ceará uma faixa estreita começando em Teresina até bater no pé da Serra Grande. Com Teresina nos domínios dos cearenses, eu aposto meus dentes da frente como jazim nós concluiremos a Ponte do Sesquicentenário e a linha do pré-metrô, reabriremos a Potycabana, reabriremos o Hospital Universitário, teremos uns dois ou três centros de convenções de responsa, botaremos o Shopping dos Camelôs pra funcionar, instalaremos uns dois ou três shoppings nos moldes do Iguatemy e, o melhor, acabaremos de uma vez por todas com esta brincadeira de mau gosto de falta de energia de manhã, de tarde e de noite toda vez que um cachorro mija no pé de um posto. Né não, macho?!
A petistinha 7
Hoje, a minha mocinha Maria Eduarda, a petistinha, completa 4 meses de idade. Mesmo sem falar, ela já consegue conversar comigo, com a mãe e com a babazinha dela. Outro dia, eu perguntei: “filhinha, quando você crescer, você quer ser doutora?” Ela fez de conta que não ouviu. “ Você quer ser empresária?” Ela nem morgou. Aí eu perguntei: “a bebezinha do papai quer ser prefeita de Timon, pra ganhar mais de 40 mil reais num só mês?” A menina deu um “sim” tão convicto, arregalando as vistas, que eu vi foi a hora das peteca dos olhos voar pra fora da caixa.
Silvio Mendes
Conta o mestre Silvio Mendes, o pai do prefeito de Teresina, em seu livro de memórias “Revivendo Meus Caminhos”: Otaviano Gonçalves era casado com Sinhara Costa, irmã de Pequeno Costa. Este, além de cunhado, era também seu vizinho, compadre e amigo. Otaviano possuía uma roça em Simplicio Mendes e gostava de encabular o compadre Pequeno Costa se gabando das terras férteis de sua propriedade. Pequeno Costa não lhe dava crédito, pois sabia que aquelas terras eram cheias de custaneiras e não dava pra se plantar nada.
Certo domingo, Otaviano estava saindo para a roça e Pequeno se ofereceu para acompanhá-lo. Lá chegando, Otaviano começou mostrando ao cunhado o capim plantado aproveitando as grotas. Realmente era verde, mas apenas nos leitos dos córregos. O resto era tudo seco. Em seguida Otaviano foi mostrar ao compadre Pequeno sua “plantação de bananas”. De cara mostrou ao visitante um belo cacho de bananas. Deram mais uma voltinha e Otaviano mostrou outro cacho. Mais outra voltinha e mais outro cacho. Foi aí que Pequeno Costa perdeu a paciência e falou: - Compadre Otaviano, vamos voltar pra casa! Só este mesmo cacho você já me mostrou três vezes.
A Ponte
Acho que o prefeito de Teresina, Silvio Mendes Filho, pegou esta história do pai dele e contou para o governador Wellington Dias. Quer saber porque? Eu digo!
Quando eu escuto falar que Teresina vai receber um ministro ou qualquer outra autoridade de tigela toda ou de meia tigela eu já fico esperando. É visita na certa às obras da Ponte do Sesquicentenário. Aí é transmissão ao vivo nas emissoras locais de TV, fleche nos portais de internet e no outro dia lá tá a foto do prefeito, do governador e do visitante, cada um com um capacete de engenheiro na cabeça, na primeira página dos jornais. Sempre o mesmo prefeito, o mesmo governador, os mesmos capacetes e a mesma ponte. Só muda o visitante. Ah! E ultimamente tem mudado também a data de inauguração. Era pra agosto, foi pra outubro e agora tá pra dezembro. É mesmo que eu tá vendo: na próxima visita que aparecer a inauguração muda de novo!
A “expressa”
Este reboliço de gente pra ver a obra da ponte toda vez que chega uma visita me lembra minha infância no município de São Miguel da Baixa Grande. Lá, toda vez que o ônibus da Líder chegava, o povo se amontoava na porta do Bar do Cumpade Neca pra ver quem descia e o que trazia. Este alvoroço era porque a “expressa”, como chamava minha vó, era a única novidade que aparecia por lá.
Pelo que eu tô vendo por aqui por Teresina, terra de muro baixo e pouca obra, esta Ponte do Sesquicentenário tá sendo impriauzim o nosso ônibus da Líder em São Miguel da Baixa Grande.
Bolo-frito e companhia
Só de ministro do Turismo lá já foram dois: a ex-ministra Marta Relaxa e Goza Ex-Faivre Supricy, e este novo ministro de nome...De nome...De nome...Eu sei lá!. É tanto ministro neste governo Lula e eles mudam tanto que só se eu não tivesse nada pra fazer pra decorar o nome deste povo.
Aí eu tive pensando: há tempos o poder público dá sinais de uma grande alavancagem do turismo no Piauí. Primeiro, só o governo do Estado tem dois órgãos pra cuidar do que vem por aí: a Piemtur e a recém-criada Secretaria do Turismo. Depois esta procissão danada de ministro do turismo por aqui. Só nos últimos meses já vieram dois, como já disse. Então, é bom eu me aviar e tomar uma providência. E já sei o que vou fazer. Da crise e da observação amiudada é que surgem as grandes idéias e oportunidades de negócio. Eu vou colocar uma barraca no pé desta ponte nova pra vender café, bolo frito, cachaça, cigarro na unidade, água, refrigerante, cd e DVD pirata, vale-transporte e tudo enquanto é modalidade de bombom. Vou ser o primeiro a chegar. E não me venha o prefeito querer me tirar de lá pra me levar pra Shopping de Camelô que eu já tô avisando que não vou! No monumento do finado Donizete Adauto, botaram uma barraca lá na Marechal Castelo Branco, ela se acabou e a prefeitura nunca tirou. Se com o Donizete, que tá morto, não mexeram, não é possível que vão mexer na minha barraquinha comigo vivim e dentro dela, dinamizando a economia nestes tempos de crise mundial!
A petistinha 6
Minhas leitoras e leitores, que eu calculo que sejam de 100 mil pra lá, tirando por baixo, têm acompanhado a minha labuta pra arrumar um padrinho para a minha filhinha Maria Eduarda. Depois de um longo processo de escolha, resolvi convidar o senador Heráclito Fortes e a Dona Mariana Brennand. Eu tava de cálculo, com um padrinho poderoso e uma madrinha multimilionária, oferecer à minha pequeninha uma chance de desfrutar do bom e do melhor, por conta, naturalmente, dos padrinhos. Através de um telegrama, o senador me deu um Nike (Nike é o ato de levantar a palma da mão e rebolar ela de lado. O tal do cai fora! abera!) e inventou uma desculpa pra não me ter como compadre.
Passei umas duas semanas desconfiado feito cachorro andando de canoa. Mas Deus, que sempre me mostra o caminho certo, me fez enxergar que o que era bom podia não ser tão bom assim. Daqui a dois anos é a eleição para senador. Serão dois os eleitos. Um, dizem que já tá certo que é o Wellington Dias. E o outro? Agora que o Robert Rios diz que é candidato ao Senado, eu tenho pra mim que a reeleição do Heráclito vai ficar difícil. Sim, porque o que tem o Heráclito de dinheiro tem o Robert de tamanho de língua. E já pensou se o Heráclito não se reelege? Pra que diabo eu ia querer um cidadão feio daquele como meu compadre, sem poder nenhum? Nam!
Cumpade Wilson Martins
Aí resolvi mudar de estratégia. Em vez de um senador, vou querer logo é que um governador seja o padrinho dela. Meu plano é arrumar um compadre que me ajeite e ajeite a minha patroa dando um DAS pra mim e outro pra ela. Com o apurado vou pagar babá, colégio, merenda no colégio e balé. O Wellington eu não quero porque a caneta dele já tá seca, falhando nos últimos risquim . E também já vai com seis anos de poder e ele nunca me arrumou nem o do cigarro.
Por mais que eu tente pensar no outros candidatos ao governo, Silvio Mendes e João Vicente, eu não tiro meu juízo do Wilson Martins. Deve ser porque ele se parece muito com o meu ex-quase-compadre Heráclito, em matéria de desabonitamento. Mas tem um porém: como o governo dele vai ser mais curto do que coice de leitoa, eu vou esperar a eleição pra escolher melhor.
Cumpadi Heráclito
Na sexta-feira passada, aqui neste espaço, fiz uma declaração pública do meu desejo de que o senador Heráclito Fortes e a dona Mariana Brennand fossem padrinhos de minha filhota Maria Eduarda (a petistinha). No processo de escolha, dei um canto de carroceria nos outros candidatos fortes, que eram o Cirim e a Ceminha e o Hugo Napoleão com a professora Leda.
Apadrinhada pelo senador Heráclito e por dona Mariana, uma Brennand da gema, minha filha teria acesso – calculei – ao que de melhor existisse no mundo, inclusive passar férias todo ano no castelo que a dindinha tem nos arredores de Londres. Era pei e bufo! Futuro garantido!
Mas, para minha tristeza, na terça-feira desta semana, dia 17 de fevereiro, às 11 horas e 17 minutos batidos, recebi um telegrama de Brasília, do gabinete do Senador Heráclito, com os seguintes dizeres:
“Prezado Danilo vg honrado convite formulado vg agradeço escolha padrinho sua filha. Infelizmente vg por motivo de viagem programada anteriormente vg não poderei aceitar”. Meu Deus! – pensei – o que é que tem a ver uma viagem com o batizado da minha filha, que ainda não tem nem data e nem local marcados?
A desculpa
Aí fui me aconselhar com o amigo, filósofo, poeta, ínclito, imortal, cientista político e cabôco da Água Branca Zózimo Tavares. Ele ouviu em silêncio e com atenção o meu agunêi todim, tim tim por tim tim. Mal eu terminei, ele já encarriou uma história: “A vaca do compadre pobre apareceu na propriedade do compadre rico. O compadre pobre pediu ao compadre rico uma corda pra tirar a vaca de lá. O compadre rico fez de conta que não ouviu. O compadre pobre insistiu no empréstimo da corda ainda por umas duas ou três vezes.
- Ô compadre, respondeu o rico, você não tá vendo que eu não posso emprestar a corda? Agora eu tô indo pra missa!”
Aí, ele Zózimo, se calou. Eu, aflito, perguntei:
- E o que diacho é que tem a ver vaca, corda e missa com o batizado da minha filhinha?
Então ele arrematou:
- Rapaz, vê se tu deixa de ser jacú! Quando a gente não quer, qualquer desculpa serve!
Doeu mas aprendi. Capiau que quer se misturar com gente importante cai pra trás e ainda tem o azar de quebrar a venta. E no fim morre fazendo careta. E, pensando bem, o Heráclito já é padrinho do deputado Mainha, do vereador Roney Lustosa, do Assiszim, do Pimbas e duma cambada que não tem fim. Não iria sobrar nada mesmo pra minha pequeninha! Mas jazim eu arrumo outro padrinho. Pagã é que ela não há de ficar!
Acompanhante
“Rita Cadillac dos seios bicudos”, “Stefany morena popozuda”, “Gil super dotado para casais”, “Feiticeira quente e gostosa”, “Iara casada, louca para te satisfazer”... Besta é quem pensa que é nos classificados dos jornais onde se encontram as maiores imundices da alma humana, como estas aí.
Imundice mesmo a gente encontra é nas principais reportagens jornalísticas. Esta semana, vi que, numa pesquisa do IBGE, o Piauí foi o estado onde houve, desde que começou a crise, o maior decréscimo nas atividades do comércio. A pesquisa não disse, mas eu sei que só não foi o de maior decréscimo na indústria porque aqui a única indústria que nós temos é a da fofoca. E essa não entra em crise nunca!
Pois não é que nesta semana li nos jornais que o deputado Antônio Uchoa propôs na Assembléia um projeto para criar uma Agência, com status de Secretaria! Não me lembro nem bem pra que é o diabo desta Agência, mas sou capaz de dar meus dois dentes da frente se não for para acomodar mais um aliado da vasta base política do governo.
Foi a coisa mais imoral e inoportuna que eu vi na imprensa nos últimos tempos. E digo mais: é imoral a proposta, imoral a sua aprovação e muito mais imoral quem aceitar a direção desta porcaria, que será mais uma sinecura pra sangrar o dinheiro do contribuinte.
Bolsa Família
Deste governo do Lula eu aceito que digam tudo. Menos que é um governo chato e previsível. Eles criam novidade de hora em hora, feito a Tele-Sena do Silvio Santos. E é um tal de bolsa disso, bolsa daquilo, cota pra isso, cota praquilo e mais cota praquilo outro... É cota e bolsa que não acaba mais.
A última invencionice criada tá sendo chamada de “Bolsa Vaselina”. Exatamente:“Bolsa Vaselina”. O governo federal decidiu gastar uns milhões de reais na compra do lubrificante para entregar no carnaval. Com a farta distribuição da vaselina aos homossexuais, o governo pretende facilitar o coito anal, reduzindo a dor.
E como no mundo tem gente que perde uma prega, mas não perde uma piada, resolveram colocar na internet uns versos de um poeta popular chamado “Miguezim de Princesa”, abordando o tema de forma epistemológica. Selecionei algumas partes mais republicanas do tal poema:
“O Governo Federal/ Que em tudo quer se meter/ Decretou que o coito anal/ Tem mas não pode doer/ E o Bolsa-Vaselina/ Surgiu para socorrer.
Quinze milhões de sachês:/A farra está animada!/Vai ter festa a noite inteira/Até mesmo na Esplanada/Sem ninguém sequer sentir/A hora da estocada.
-É para reduzir danos/- Defende logo um petista./Porque na hora do coito/Dá um escuro na vista/E a dor é tão profunda/Que eu sinto dó do artista.
O Brasil é mesmo assim:/Prostituta tem prazer/Vagabundo tira férias/Se trabalha sem comer/ E quem dá o ás-de-copas,/Dá mas não pode doer.
O governo resolveu/Dar bolsa pra todo mundo/E criar um grande exército/De milhões de vagabundos/ Só faltava esta bolsa/De vaselinar os fundos.”
Ora, se sem vaselina a aprovação do homem já era estrondosa, imagine agora!"
O governador Wellington Dias (PT) decidiu ficar no mandato até o final e não mais ser candidato a senador. Você acha que foi uma ideia acertada?
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